Quase metade dos produtos que tiveram preços congelados está em falta em Buenos Aires, mostra estudo

Pesquisa foi realizada em 42 supermercados em 30 cidades da província (que não inclui a capital); congelamento foi anunciado pelo governo em abril para tentar conter inflação

Quinze dias após o governo da Argentina iniciar um plano de congelamento de preços, no âmbito de um programa chamado "Preços Essenciais", 49% dos produtos incluídos na medida estão em falta nos supermercados da província de Buenos Aires.

Segundo um levantamento realizado pela Defensoria Pública da província, divulgado nesta segunda-feira (06/05), não foi possível encontrar quase a metade dos produtos que tiveram seus preços congelados nas gôndolas de 42 estabelecimentos pesquisados em 30 cidades.

Além disso, o relatório informou que os produtos que estavam disponíveis nas prateleiras contavam com pouco estoque e que, além disso, as placas de identificação prometidas pelo governo, para identificar um item da lista de congelamento, não constavam em mais de 1.800 produtos.

A Defensoria Pública afirmou ainda que apenas 42% dos itens estavam claramente visíveis nas lojas e que a maior parte das mercadorias não respeitava os critérios de visibilidade determinados pelo governo.

Outro critério que não foi respeitado pela maioria dos estabelecimentos pesquisados foi a divulgação de um número de telefone para que consumidores pudessem denunciar irregularidades no cumprimento do programa. Das 42 lojas que fizeram parte do levantamento, apenas três divulgaram telefones para contato.

"Devem ser tomadas todas as medidas para que [o programa] Preços Essenciais se cumpra em sua totalidade, tal como foi apresentado. Se não há controle para que os produtos sejam garantidos nos valores anunciados, estamos diante de uma manobra de marketing, [e não] diante de um plano para beneficiar os consumidores, onde o governo parece defender mais os grandes empresários do que as pessoas", disse o chefe da Defensoria Pública, Guido Lorenzino.

Já no dia 24 de abril, pouco tempo depois o congelamento ter começado, a Associação de Supermercados Unidos da Argentina alertou para a possibilidade de desabastecimento. 

"No momento de publicação da lista, havia produtos em processo de produção. Nossa participação na elaboração da relação foi somente pedir à Secretaria de Comércio que se garantisse o abastecimento", disse, à época, o diretor-executivo da associação, Juan Vasco Martínez.

Congelamento

O programa "Preços Essenciais" foi anunciado pelo governo da Argentina no final do mês de abril, após o presidente Mauricio Macri assinar um acordo com 16 empresas para congelar os preços de 64 produtos da cesta básica por seis meses.

O preço de itens como óleo, arroz, farinha, macarrão, leite e açúcar, foi tornado imutável na tentativa de conter a inflação no país que, apenas no primeiro trimestre do ano, acumula 11,8%, chegando à metade do esperado para 2019.

Em 2018, a Argentina terminou o ano com uma inflação de 54,7%, o dobro do índice previsto pelo governo. 

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Pesquisa foi realizada em 42 supermercados em 30 cidades da província

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