Irã multiplica taxa de enriquecimento de urânio após suspensão de acordo nuclear

Anúncio acontece uma semana depois da decisão de Teerã de suspender os compromissos assumidos no acordo nuclear, em 2015

Redação

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Paris (França)

O Irã multiplicou por quatro a taxa de enriquecimento de urânio pouco enriquecido existente no país. A declaração foi feita nesta segunda-feira (20/05) pelo responsável da central nuclear de Natanz.

O anúncio acontece uma semana depois da decisão de Teerã de suspender os compromissos assumidos no acordo nuclear, em 2015. O Acordo de Viena autorizava o Irã a manter no máximo 300 quilos de urânio de até 3,67% de teor radioativo e enviar o excedente para o exterior, onde poderia ser vendido ou estocado.

Após a retirada unilateral dos Estados Unidos do compromisso e o restabelecimento de algumas sanções econômicas contra o país, o governo iraniano julgou que não seria mais obrigado a respeitar esse ponto do documento.

O responsável da central de Natanz, citado pela agência de imprensa Tasnim, não especificou qual seria a nova taxa de enriquecimento. Mas, pela lógica, ela continuaria a ser inferior a 20%, como antes da assinatura do acordo, ratificado pela China, Rússia, Alemanha, França, Reino Unido e pelos Estados Unidos. Para fabricar a bomba atômica é necessário ter urânio enriquecido a 90%.

“Se Irã quer briga, será o fim oficial do Irã”, diz Trump

O ministro das Relações Exteriores iraniano Mohammad Javad Zarif respondeu, nesta segunda-feira, às ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump. Ele publicou uma mensagem no Twitter, neste domingo (19/05), dizendo que, “se o Irã quer lutar, será o fim oficial do Irã.”

Na mesma rede social, Zarif escreveu que “os iranianos continuaram de pé durante milênios e todos os seus agressores partiram. Tente o respeito, ele funciona”, respondeu o representante iraniano, alfinetando o presidente americano.

As relações entre o Irã e os Estados Unidos pioraram nos últimos dez dias depois do anúncio de um reforço da presença militar norte-americana no Oriente Médio para enfrentar “novas ameaças iranianas”. Diante da iniciativa, o Irã vem reiterando que “não quer guerra”, sem deixar de responder que os americanos seriam derrotados se houvesse um conflito.

Os dois países têm uma história complexa, mas o diálogo foi retomado durante a gestão de Barack Obama, que deixou o poder em janeiro de  2017. Com a chegada de Trump ao poder e a retirada dos Estados Unidos do acordo de Viena, a tensão voltou a crescer.

No documento, o Irã aceitou diminuir seu programa nuclear em troca do fim de parte das sanções internacionais contra o país, mas Trump voltou a impor medidas unilaterais. A política, qualificada de terrorismo econômico, impede o Irã de beneficiar das vantagens do acordo.

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Presidente iraniano, Hassan Rouhani.

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