Lava Jato foi um processo político que influenciou no resultado das eleições, diz Mário Magalhães

Jornalista e escritor lança seu novo livro, 'Sobre Lutas e Lágrimas - uma biografia de 2018'; obra trata dos principais eventos que marcaram o ano, como assassinato de Marielle Franco e prisão do ex-presidente Lula

Lucas Estanislau

São Paulo (Brasil)

O jornalista e escritor Mário Magalhães lançou na última semana seu novo livro, "Sobre Lutas e Lágrimas - uma biografia de 2018" (Editora Record, R$44,90), que traz uma série de reportagens, crônicas e análises sobre os principais fatos políticos que marcaram o ano passado.

Em entrevista a Opera Mundi, Magalhães afirmou que desde janeiro de 2018 - e os primeiros capítulos do livro deixam claro - o então candidato à presidência da República Jair Bolsonaro foi o maior beneficiado pelas ações da operação Lava Jato que, na opinião do autor, foi um processo político que determinou o resultado das eleições.

"Se o ex-presidente Lula fosse candidato ele venceria as eleições. O Lula não foi candidato porque foi condenado na Lei da Ficha Limpa em um processo iniciado pela Lava jato. A operação foi um processo político que influenciou nas eleições, sem dúvidas", diz.

Para Magalhães, autor de "Marighella - o guerrilheiro que incendiou o mundo", o tratamento dado pela Justiça ao caso do tríplex do Guarujá que condenou Lula foi totalmente diferente do modo com que a Lava Jato tratou outros processos judiciais.

"Eu nunca estudei direito penal, mas eu li a sentença que condenou o ex-presidente e não encontrei nenhuma prova. Hoje sabemos que não era apenas eu que achava que não haviam provas no processo", afirma o autor fazendo referência às mensagens divulgadas pelo site Intercept Brasil que revelaram que o procurador Deltan Dallagnol temia que o processo contra Lula não fosse forte suficiente para condenar o ex-mandatário por falta de evidências.

Assista à entrevista completa com Mário Magalhães:

Reprodução
Jornalista e escritor lança seu novo livro, 'Sobre Lutas e Lágrimas - uma biografia de 2018'

Três datas

Segundo o autor, o ano de 2018 "não foi um ano qualquer, foi um ano que mereceu uma biografia" por conta de três eventos específicos: o assassinato da vereadora carioca Marielle Franco, a prisão de Lula e a vitória eleitoral de Jair Bolsonaro.

"Não fiz um livro panfletário, mas é um livro que tem lado, o lado da civilização contra a barbárie. Proibir um jornal de entrevistar o Lula na cadeia, isso configura censura", afirma.

Magalhães ainda destaca o papel de ator político do então juiz Sergio Moro, atual ministro da Justiça. "Quem quis ver em 2018 viu. Então Sergio Moro, o juiz das camisas pretas, e o procurador Dallagnol, eles não são mocinhos. Considerando a defesa e os interesses da democracia, do Estado democrático de direito, dos direitos humanos, e isso, com esse tesouro histórico que está sendo revelado pelo Intercept Brasil, fica muito claro". 

Fake news e eleições

Para o autor, notícias falsas que foram veiculadas sobre o candidato à presidência do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad, enfrentariam mais resistência da população se o candidato fosse o Lula. "Uma coisa é vender a falácia do kit gay, dizendo que o Haddad iria distribuir mamadeiras com bico em formato peniano, outra coisa é tentar espalhar isso sobre o Lula, que já tinha sido presidente", diz.

"Eu faço no livro uma pesquisa histórica para entender o nascimento do kit gay, que a gente vai encontrar em 2010. Foi uma mentira cuja a construção foi muito eficiente, pois 85% dos eleitores do Bolsonaro acreditaram na mentira do kit gay. Nunca uma mentira tinha influenciado tanto na história da República", afirma o escritor.

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