Bolsonaro defende trabalho infantil: 'Não prejudica em nada'

"O trabalho dignifica o homem e a mulher, não interessa a idade", disse o presidente ao ser questionado sobre sua experiência como pescador

Redação

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São Paulo (Brasil)

Em um vídeo ao vivo transmitido na quinta-feira (04/07) via Facebook, o presidente Jair Bolsonaro defendeu o trabalho infantil e alegou que ele mesmo "colheu milho" aos "nove, dez anos de idade", em uma fazenda em São Paulo. 

Aos seus seguidores na rede social, em uma transmissão ao lado do secretário nacional de Pesca e Aquicultura, Jorge Seif Júnior, Bolsonaro alegou que o trabalho infantil "dignifica" e "não prejudica em nada". 

O assunto surgiu quando o presidente foi questionado sobre sua experiência como pescador. "O trabalho dignifica o homem e a mulher, não interessa a idade", disse o presidente, ao mesmo tempo em que, em Brasília, uma comissão especial da Câmara dos Deputados votava o texto-base da Reforma da Previdência, um dos principais desafios do governo.

"Quando um moleque de nove, dez anos vai trabalhar em algum lugar, está cheio de gente aí 'trabalho escravo, não sei o quê, trabalho infantil'. Agora, quando está fumando um paralelepípedo de crack, ninguém fala nada", disse Bolsonaro.

Apesar de defender o trabalho infantil, Bolsonaro garantiu que não apresentará um projeto de lei para descriminalizar a prática, pois "seria massacrado" por isso.

Clauber Cleber Caetano/PR
Bolsonaro garantiu que não apresentará um projeto de lei para descriminalizar a prática, pois "seria massacrado" por isso.

"Fiquem tranquilos que eu não vou apresentar nenhum projeto aqui para descriminalizar o trabalho infantil porque eu seria massacrado. Mas quero dizer que eu, meu irmão mais velho, uma irmã minha também, um pouco mais nova, com essa idade, oito, nove, dez, doze anos, trabalhavam na fazenda. Trabalho duro", contou. 

Bolsonaro também contou que aprendeu a dirigir em dois tratores da fazenda com a mesma faixa etária, portanto, ilegalmente. E disse que começou a atirar "jovem".

"Vai falar 'ah, irresponsabilidade'. Nada, pô. O velho tinha uma espingarda, eu ia pro meio do mato e metia fogo, atirava sem problema nenhum. Hoje em dia é tanto direito, tanta proteção que temos uma juventude aí que tem uma parte considerável que não está na linha certa", afirmou.  

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