Paris reconhece que mísseis encontrados em base militar pró-Haftar na Líbia pertencem à França

Segundo governo francês, mísseis haviam sido colocados 'temporariamente' em um depósito para serem destruídos; armamentos foram encontrados no dia 29 de junho

O Ministério das Forças Armadas da França reconheceu nesta quarta-feira (10/07) que quatro mísseis encontrados em base militar de forças ligadas ao autoproclamado Exército Nacional da Líbia (ENL), comandado pelo general Khalifa Haftar, pertenciam à tropas francesas.

"Estas armas eram para a autoproteção de um destacamento francês desdobrado para a inteligência contra o terrorismo", afirmou o Ministério francês que não explicou como os mísseis foram encontrados em um território pró-Haftar.

Ainda de acordo com a França, os armamentos, que foram comprados dos Estados Unidos em 2010, foram colocados "temporariamente" em um depósito para serem destruídos, pois não seriam mais utilizados. O governo francês afirma que as armas não foram transferidas para auxiliar as forças do ENL.

Os quatro mísseis foram encontrados na cidade de Gharyan, em 29 de junho, pelo Governo de União Nacional (GNA), reconhecido pela ONU, durante uma operação que retomou o controle da cidade.

Os mísseis estavam armazenados em uma caixa de madeira indicando que pertencia às "forças armadas dos Emirados Árabes Unidos". O país negou na mesma semana a posse dos mísseis.

À época, Paris comprou 260 mísseis de tipo Javelin, que custaram cerca de US$ 1.700 cada. De acordo com a França, os novos armamentos seriam utilizados no Afeganistão e iriam substituir o uso do tradicional míssil Milan, um sistema anticarro europeu que não era mais adequado. 

Essa é a primeira vez desde 2016 que a França admitiu publicamente manter tropas especiais na Líbia. Porém, Paris não informou a quantidade de tropas deslocadas no país.

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Mísseis foram comprados em 2010 e estavam armazenados para serem destruídos

Confronto

Os combates no país se intensificaram no início de abril quando as tropas do general Khalifa Haftar, com base na região leste do país, se dirigiram a Trípoli para dominar a capital. Por sua vez, forças leais ao governo baseado em Trípoli reagiram.

Ambos os grupos emitiram ordem de prisão internacional contra seus respectivos líderes (Haftar e Al Sarraj) por supostos delitos, como “traição à pátria”.

Após a intervenção da Otan, em 2011, que foi concluída com a derrubada do então ditador Muamar Gaddafi, a Líbia ficou nas mãos de vários grupos armados que disputam o controle do país.

Na última sexta-feira (05/07) a ONU informou que cerca de mil pessoas já morreram durante confrontos na Líbia nos últimos três meses. Na mesma semana, houve uma explosão contra um centro de detenção de migrantes, que deixou 53 mortos.

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