Após vazamento de mensagens do Telegram, manifestantes pedem renúncia do governador de Porto Rico

Nas mensagens, reveladas no último sábado (13/07) pelo Centro de Jornalismo Investigativo, Ricardo Rosselló faz chacota dos mortos em decorrência da passagem do furacão Maria, em setembro de 2017

O vazamento de mensagens do governador de Porto Rico, Ricardo Rosselló, compartilhadas pelo aplicativo Telegram, levou milhares de pessoas às ruas de San Juan nesta segunda-feira (15/07) pedindo a renúncia do mandatário. A isso, se juntam denúncias de corrupção contra o político.

A manifestação pacífica terminou com ao menos 14 feridos e três presos por conta da repressão policial. Com as palavras de ordem “Ricky, renuncia” e “tem que ir, que renuncie”, os manifestantes pediram a saída de Rosselló desde o último final de semana.


Nas mensagens, Rosselló faz chacota dos mortos em decorrência da passagem do furacão Maria, em setembro de 2017. Elas foram reveladas no último sábado (13/07) pelo Centro de Jornalismo Investigativo, que recebeu um documento de cerca de 900 páginas por uma fonte anônima.

Em várias das conversas, o governador se dirige de maneira grosseira e insultante a dirigentes políticos e líderes sociais da oposição. Em uma delas, Rosselló se refere a Melissa Mark-Viverito, ex-vereadora de Nova York nascida em Porto Rico, com uma palavra que é sinônimo de “prostituta” em espanhol. Além disso, ele chamou a prefeita de San Juan, Carmen Yulín Cruz, de “filha da puta” e questionou se ela havia “deixado de tomar os remédios”.

World Travel & Tourism Council/FlickrCC
Manifestantes pediram renúncia de Ricardo Rosselló

Rosselló também dirigiu, nas conversas, comentários homofóbicos em relação ao cantor porto-riquenho Ricky Martin, que revelou sua homossexualidade.

Em sua defesa, o governador disse, segundo a AFP, que o chat era usado “para liberar tensões de dias de 18 horas”. “Mas nada disso justifica as palavras que escrevi."

Corrupção

Às mensagens, somam-se as acusações de o governador participou do desvio de US$ 15,5 milhões dos recursos enviados por Washington para as áreas de educação e saúde. Ao menos seis ex-membros do governo e empresários já foram presos. 

Entre os envolvidos, estariam a ex-secretária de Educação Julia Keleher, a ex-diretora da Administração de Serviços de Saúde, Ángela Ávila. Elas são acusadas de participar de um esquema fraudulento para contratação de uma consultoria.

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