Militares e oposição civil assinam acordo para compartilhar poder no Sudão

Pacto político, chamado de Conselho Soberano, será formado por cinco militares, indicados pela junta militar, e cinco civis da aliança de oposição; 11º membro do conselho será escolhido por ambas as partes

A junta militar no poder do Sudão e a aliança civil de oposição assinaram nesta quarta-feira (17/07) um acordo político para formar um poder compartilhado no país, que será governado por 11 membros durante três anos. 

O pacto, chamado de Conselho Soberano, será formado por cinco militares, indicados pela junta militar, e cinco civis da aliança de oposição. O 11º membro do conselho será escolhido por ambas as partes. O governo será comandado por um general nos primeiros 21 meses e, nos 15 restantes, por um civil. 

As duas partes estão em negociação sobre uma declaração constitucional, mediada pela União Africana (UA), que deve ser assinada na sexta-feira (19/07).

A partir das regras estipuladas pela declaração, os civis irão escolher o primeiro-ministro do país. O novo chefe de Estado vai indicar 20 ministros, deixando a pasta da Defesa e do Interior para serem nomeadas pelos militares. 

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Militares e aliança civil assinam acordo político para compartilhar poder no país

Outro ponto do acordo, previsto para ser elaborado dentro após os três primeiros meses do novo conselho, é a criação de um poder legislativo sudanês. O texto ainda definiu que, nas próximas eleições, não será permitido que ministros e membros do conselho concorram ao pleito.

Após a repressão dos militares em 3 de junho, que deixou mais de 100 mortos em Cartum, capital do Sudão, foi estabelecida uma comissão nacional independente para investigar os atos de violência pelas forças de segurança do país.

Acordo de poder

Em cinco de julho, os miliares e a aliança civil haviam anunciado a criação o Conselho Soberano, mas ainda sem assinar o acordo oficial . 

Desde a derrubada do ditador Omar al-Bashir, em abril, o Sudão entrou em uma espiral de instabilidade política e violência. Os militares que depuseram al-Bashir foram forçados a sair do governo em meio aos protestos que pediam um governo civil, mas acabaram sendo substituídos por outros membros das Forças Armadas. 

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