Bolsonaro: Se presidente da OAB quiser saber como o pai desapareceu na ditadura, eu conto

Comentário do presidente, adorador confesso do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, veio após criticar atuação da OAB no caso Adélio

O presidente Jair Bolsonaro atacou, nesta segunda-feira (29), o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, fazendo uma referência ao pai, Fernando Augusto Santa Cruz de Oliveira, desaparecido durante a ditadura militar. O presidente desafiou a OAB após reclamar da atuação da entidade no caso Adélio.

“Um dia, se o presidente da OAB quiser saber como é que o pai dele desapareceu no período militar, conto pra ele. Ele não vai querer ouvir a verdade. Conto pra ele. Não é minha versão. É que a minha vivência me fez chegar nas conclusões naquele momento. O pai dele integrou a Ação Popular, o grupo mais sanguinário e violento da guerrilha lá de Pernambuco e veio desaparecer no Rio de Janeiro”, declarou o presidente.

Fernando desapareceu em 1974, era estudante de Direito, funcionário do Departamento de Águas e Energia Elétrica em São Paulo e integrante da Ação Popular Marxista-Leninista. No relatório da Comissão da Verdade, não há registro de participação dele na luta armada e ele também não era considerado “clandestino” ou “foragido”: tinha endereço e emprego fixos.

O comentário do presidente, adorador do torturador Carlos Alberto Brilhante Ustra, veio após criticar atuação da OAB no caso Adélio. “Por que a OAB impediu que a Polícia Federal entrasse no telefone de um dos caríssimos advogados? Qual a intenção da OAB? Quem é essa OAB?”, disse.

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O presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, cujo pai desapareceu durante a ditadura

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