Itália proíbe que ex-militar uruguaio condenado por tortura na Operação Condor deixe o país

Nestor Troccoli e outros 23 ex-agentes de ditaduras do Cone Sul foram condenados à prisão perpétua, no último dia 8 de julho, por crimes cometidos contra cidadãos italianos residentes no exterior durante Condor; Justiça vê 'risco de fuga'

Janaina Cesar

Roma (Itália)

A Justiça da Itália determinou, por ver “risco de fuga”, a retenção do passaporte ex-tenente uruguaio Nestor Troccoli e o proibiu de deixar o país. Troccoli e outros 23 ex-agentes de ditaduras do Cone Sul foram condenados à prisão perpétua, no último dia 8 de julho, por crimes cometidos contra cidadãos italianos residentes no exterior durante a Operação Condor. 

A Condor foi uma aliança entre ditaduras sul-americanas dos anos 70 e 80 que permite a troca de informações e prisioneiros e tinha como objetivo perseguir, torturar e assassinar dissidentes políticos. 

O anúncio da proibição foi dada pelo governo do Uruguai na última terça (30/07), data em que recebeu uma comunicação da justiça italiana que informava sobre as medidas cautelares aplicadas a Troccoli. A decisão havia tomada dia 25 de julho pela Corte de apelação de Roma. 

A decisão proferida pela juíza Agatella Giuffrida atende o pedido de medida cautelar apresentado dia 15 de julho pela procuradoria-geral de Roma. Segundo o documento judicial ao qual Opera Mundi teve acesso, para a Corte "existe o perigo concreto e atual que este [Troccoli] possa deixar o território italiano enquanto espera a decisão da Corte de Cassação", isto é, o recurso em última instância. 

Troccoli foi impedido pela Justiça da Itália de deixar o país

De acordo com o documento, foram levados em consideração o fato de que "Troccoli foi condenado à prisão perpétua pelo assassinato de cidadãos italianos residentes no exterior, cometidos entre dezembro de 1977 e janeiro de 1978 quando era comandante do Corpo de Fuzileiros Navais do Uruguai (Fusna)" e que, "para este tipo de crime, cabe a aplicação de medida cautelar em prisão, mas que não poderá ser aplicada neste caso porque a pessoa já ultrapassou os setenta anos". 

Também o fato de que Troccoli "fugiu do Uruguai quando deveria ser processado pelos mesmos crimes pelos quais foi condenado na Itália", e que assim "deu provas de querer se subtrair à justiça". Por ter cidadania italiana, o ex-tenente escapou do Uruguai em 2007 para não ser processado em seu país e veio morar na Itália, que negou sua extradição à justiça uruguaia. 

Na sentença de primeiro grau de 17 de Janeiro de 2017, Troccoli havia sido absolvido. 

nota informa ainda que o ex tenente é alvo de outras duas novas investigações do Ministério Público romano: uma sobre o sequestro, assassinato e desaparecimento da professora uruguai Elena Quinteros, sequestrada na embaixada da Venezuela em Montevidéu, em 28 de junho de 1976 e o sequestro e assassinato da italiana Rafaela Filipazzi e seu marido, José Agustín Potenza, em 27 de maio de 77, no hotel Hermitage, em Montevidéu, cujos restos mortais foram encontrados em Assunção, Paraguai.

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