UE escolhe búlgara Kristalina Georgieva para dirigir FMI

Escolha de Georgieva representa vitória de países do Leste Europeu e ainda terá que ser aprovada pelos demais integrantes do FMI; no entanto, instituição é tradicionalmente comandada por um representante da Europa

Redação

Deutsche Welle Deutsche Welle

Bonn (Alemanha)

A búlgara Kristalina Georgieva, atual diretora-executiva do Banco Mundial, foi designada como a candidata europeia para dirigir o Fundo Monetário Internacional (FMI), informou o governo da França, que coordenava a negociação entre os 28 países da União Europeia em torno de um nome comum.

"Kristalina Georgieva é agora a candidata de todos os países europeus. Todos vamos apoiar a sua candidatura", escreveu no Twitter o ministro da Economia francês, Bruno Le Maire, no fim de uma teleconferência com os representantes de outras nações europeias, na noite desta sexta-feira (02/08).

A candidatura de Georgieva exigirá uma mudança no regulamento interno do FMI, já que, daqui a 11 dias, ela completará 66 anos, um a mais do que a idade máxima para assumir o cargo. Além disso, ela representa uma vitória dos países do Leste Europeu, que apostaram na candidata búlgara contra o holandês Jeroen Dijsselbloem, apoiado pela região norte do continente.

Também pelo Twitter, a candidata búlgara disse sentir-se "honrada" com sua indicação. Ela informou que deixará seu posto como vice-presidente do Banco Mundial durante o processo de confirmação. O ex-ministro holandês de Finanças Dijsselbloem felicitou Georgieva pelo resultado e desejou-lhe "o maior sucesso possível".

O nome de Georgieva terá ainda que ser referendado pelos demais integrantes do FMI. No entanto, a instituição é tradicionalmente comandada por um representante europeu, enquanto o Banco Mundial é liderado por um americano.

A búlgara obteve o apoio de 56% dos países da UE, contra 44% de Dijsselbloem, para substituir a francesa Christine Lagarde, que deixou o cargo de diretora-gerente do FMI para assumir o comando do Banco Central Europeu (BCE).

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Processo de escolha de candidata búlgara mostrou divisão dentro da UE

O ainda presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, usou o Twitter para parabenizar a esperada nova diretora-gerente do FMI, ressaltando que Georgieva tem todas as qualidades exigidas para contribuir positivamente com a instituição.

"Parabenizo Kristalina Georgieva pelo resultado das eleições europeias. Desejo a ela o máximo de sucesso", disse Juncker.

O resultado apertado mostra que os países da UE não foram capazes de formar consenso em torno de um único nome para dirigir o FMI. Às vésperas da escolha, os 28 integrantes do bloco ainda discutiam como reduzir a lista de indicados para chegar aos dois candidatos que participaram da votação.

O primeiro a cair foi o atual presidente do Eurogrupo, o português Mário Centeno, que se retirou ontem da disputa. Depois, desistiram a ministra interina da Economia da Espanha, Nadina Calviño, e o presidente do Banco Central da Finlândia, Olli Rehn, que também acabou derrotado na disputa para presidir o BCE contra Lagarde.

A França, que coordenava as negociações, concedeu ao Reino Unido no último momento a oportunidade de apresentar candidato para levar em consideração o novo governo de Boris Johnson, que substituiu Theresa May no cargo de primeiro-ministro do país. No entanto, o líder conservador preferiu não indicar nomes para a disputa.

Georgieva terá agora até o dia 6 de setembro para apresentar a candidatura oficialmente ao FMI, que quer ter um novo diretor-gerente até 4 de outubro. Espera-se que na votação haja um representante de países emergentes, que vêm reivindicando maior participação no comando das organizações financeiras internacionais.

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