Síria rejeita acordo entre EUA e Turquia sobre área de segurança em sua fronteira

Até o momento, não foi revelado nenhum detalhe sobre o alcance desta área de segurança, ou sobre quem a controlaria; país sírio afirmou que os curdos são usados como 'ferramenta' em um 'projeto hostil' de norte-americanos e turcos

Redação

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Paris (França)

O governo da Síria anunciou nesta quinta-feira (08/08) que rejeita "categoricamente" o acordo entre Estados Unidos e Turquia para criar uma "área de segurança" no norte do país, região controlada pelos curdos. O anúncio dessa operação havia sido feito na quarta-feira (07/08) pelos governos americano e turco.

Até o momento, não foi revelado nenhum detalhe sobre o alcance desta área de segurança, ou sobre quem a controlaria. Para o regime de Damasco, que retomou o controle de mais de 60% do território sírio, o acordo turco-americano constitui uma "agressão flagrante contra a soberania e a unidade territorial síria, assim como uma violação dos princípios do Direito Internacional", sobretudo com a possibilidade de uma nova mobilização do Exército na região.

O acordo foi alcançado após três dias de intensas negociações. Washington quer impedir uma nova operação de Ancara contra as Unidades de Proteção Popular (YPG), a milícia curda que controla uma vasta região do norte da Síria e que teve importância vital para os EUA na luta contra o grupo extremista Estado Islâmico (EI).

Nesta quinta-feira, a Síria afirmou que os curdos são usados como "ferramenta" em um "projeto hostil" de norte-americanos e turcos e pediu que retornem ao "controle nacional". Ao mesmo tempo, líderes dessa etnia permanecem cautelosos. "Avaliaremos o texto em função dos detalhes e dos fatos, não das manchetes”, disse o dirigente curdo Aldar Khalil.

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Síria rejeitou acordo entre EUA e Turquia para criar área de segurança

Corredor humanitário

Minoria étnica marginalizada durante anos na Síria, os curdos criaram uma região semiautônoma no norte do país no início do conflito armado em 2011. Ancara não aprecia o projeto de autonomia perto de sua fronteira, pois teme que a independência curda na Síria estimule o ímpeto separatista em seu território. A Turquia denuncia os vínculos entre as YPG e o Partido dos Trabalhadores do Curdistão (PKK), que organiza uma guerrilha em território turco desde 1984.

Desde 2016, o Exército da Turquia executou duas ofensivas no norte da Síria e, no ano passado, assumiu o controle de Afrin, uma das três áreas da região "federal" autoproclamada pelos curdos. Nos últimos dias, Ancara ameaçou iniciar uma nova intervenção. Para o governo turco, a "área de segurança" no norte da Síria também deve servir como corredor humanitário, para permitir o retorno de parte dos mais de 3,6 milhões de refugiados sírios que estão em seu território. Iniciada em 2011, a guerra na Síria deixou mais de 370.000 mortos e forçou a fuga de milhões de pessoas.

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