Liderado por Salvini, partido de ultradireita da Itália tenta derrubar premiê e forçar novas eleições

"Espero que Conte não pense em formar um outro governo como premiê, diferente desse. Sempre dissemos que, depois deste governo, a única alternativa seria convocar eleições", afirmou ministro do interior

A crise política na Itália, que coloca em risco a continuidade do governo, agravou-se nesta sexta-feira (09/08) com uma moção de desconfiança no Senado apresentada pela Liga, de Matteo Salvini, contra o primeiro-ministro Giuseppe Conte. Se o premiê for derrubado, é possível que novas eleições sejam convocadas - o que é o desejo de Salvini, que é vice-primeiro-ministro e ministro do Interior.

A legenda de extrema-direita liderada por Salvini alega que o país enfrenta muitos entraves, com "nãos que fazem mal" à Itália. "Quem perde tempo quer salvar somente sua cadeira", atacou Salvini pelo Twitter, referindo-se aos cargos públicos. "Para alguns, primeiro é a cadeira. Para nós, são os italianos. Não ao governo técnico. Não aos joguinhos no governo. A Itália do 'sim' não espera. Vamos dar a palavra imediatamente ao povo", disse o líder da Liga, voltando a pedir eleições antecipadas. 

"Espero que Conte não pense em formar um outro governo como premiê, diferente desse. Sempre dissemos que, depois deste governo, a única alternativa seria convocar eleições", afirmou Salvini à ANSA.

A Liga forma desde junho de 2018 um governo com o partido Movimento 5 Estrelas (M5S), do ex-comediante Beppe Grillo e do vice-premiê e ministro do Desenvolvimento Econômico Luigi Di Maio. Apesar de terem posições políticas contrárias, as duas legendas, que foram as mais votadas nas últimas eleições gerais, uniram-se em torno de um "pacto" para formar um governo. No entanto, nos últimos meses, foram cada vez mais constantes os momentos de instabilidade e choque entre a Liga e o M5S devido a divergências em projetos de lei e problemas dentro do próprio governo.

Intero/Itália
Salvini quer convocação de novas eleições na Itália

O estopim para a crise ocorreu na última quarta-feira (07/08), quando uma moção apresentada pelo M5S foi bloqueada no Senado. O partido queria frear o projeto de lei de trem de alta velocidade (TAV) entre Turim e Lyon, na França, que é fortemente defendido pela Liga. 

O placar da votação deixou claro que o governo sofria um forte racha e que não formaria mais maioria. Salvini, embalado pelo fato da Liga ter sido o partido italiano mais votado nas eleições ao Parlamento Europeu em 2019, passou, então a pressionar para a convocação de novas eleições na Itália.

(*) Com Ansa

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