Itália: Conte anuncia governo de coalizão com populistas e centro-esquerda

Novo governo - o 66º em 73 anos de República na Itália - é fruto de aliança entre Movimento 5 Estrelas (M5S) e o Partido Democrático (PD); Luigi de Maio será chanceler

O primeiro-ministro da Itália, Giuseppe Conte, confirmou nesta quarta-feira (04/09) ao presidente Sergio Mattarella que conseguiu formar um novo governo, fruto de uma aliança entre o populista Movimento 5 Estrelas (M5S) e o social-democrata Partido Democrático (PD).

No poder desde 1º de junho de 2018, o premiê tomará posse para seu segundo mandato nesta quinta (05/09), às 10h da manhã (horário local, 5h em Brasília), ao lado de seus novos ministros. Esse será o 66º governo em 73 anos de República na Itália.

Advogado e professor de direito, Conte não tem filiação partidária, mas é ligado ideologicamente ao M5S, que o alçou do anonimato ao cargo político mais cobiçado do país após as eleições do ano passado, quando a sigla obteve 32% dos votos. Como o resultado foi insuficiente para garantir maioria no Parlamento, o M5S formou uma aliança com a ultranacionalista Liga, do agora ex-ministro do Interior Matteo Salvini. 

Os dois partidos se recusaram a ceder o cargo de premiê a seus respectivos líderes, então a solução foi buscar um nome alternativo e sem trajetória política: Giuseppe Conte, que agora governará em coalizão com a centro-esquerda.

Coalizão

Na terça-feira (03/09), após uma votação online entre os filiados ao partido, o  Movimento 5 Estrelas (M5S) havia aproado  a formação de uma aliança de governo com o PD, na Itália. Segundo a "Associação Rousseau", entidade responsável pela plataforma digital que serve como ferramenta online de votação do M5S, 79.634 pessoas participaram da consulta, sendo que 63.146 votaram "sim" (79,3%), e 16.488 optaram pelo "não" (20,7%).

Quirinale
Giuseppe Conte será confirmado no cargo de premiê sob coalizão M5S-PD

Na última sexta-feira (30/08), o líder do M5S, Luigi Di Maio, havia apresentado uma lista de exigências a Conte, ameaçando desfazer a coalizão que havia sido formada recentemente com o PD e eventualmente obrigando o presidente Mattarella a chamar novas eleições - o que era o desejo de Salvini.

Com o resultado positivo, o risco de novas eleições foi afastado e a coalizão, mantida.

A equipe

O novo governo aumenta de 19 para 22 o número de ministros, dos quais quatro faziam parte da gestão anterior, incluindo Di Maio, que trocou a pasta do Trabalho e do Desenvolvimento Econômico pelo cobiçado Ministério das Relações Exteriores.

Di Maio também deixa de exercer o cargo de vice-premiê, que foi abolido. Os outros ministros mantidos no governo são Sergio Costa (Meio Ambiente), Alfonso Bonafede (Justiça) e Riccardo Fraccaro, que deixou a pasta de Relações com o Parlamento para assumir a estratégica função de subsecretário da Presidência do Conselho dos Ministros (cargo equivalente ao ministro da Casa Civil no Brasil).

"Dedicaremos com essa equipe nossas melhores energias, nossas competências, nossa mais intensa paixão para tornar a Itália melhor no interesse de todos os cidadãos, de norte a sul", disse Conte em pronunciamento à imprensa. Após sua posse, ele se dirigirá ao Parlamento para apresentar o programa de governo e pedir o voto de confiança da Câmara e do Senado.

"Há uma maioria parlamentar, e a palavra cabe agora ao Parlamento", afirmou o presidente Mattarella.

(*) Com Ansa

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