Bolsonaro elogia 'coragem dos que deram um basta' no pai de Bachelet, torturado e morto pela ditadura de Pinochet

Falas do presidente vêm após alta comissária dos direitos humanos da ONU criticar encolhimento do espaço democrático no Brasil

O presidente Jair Bolsonaro afirmou nesta quarta-feira (04/09) que a alta comissária para os direitos humanos da ONU, Michelle Bachelet, está se intrometendo na soberania do Brasil e elogiou a ditadura de Augusto Pinochet por "dar um basta em comunistas" como o pai da ex-presidente do Chile, que foi torturado e assassinado pelo regime militar chileno em 1974.

As falas do presidente vêm após Bachelet criticar a violência policial, a apologia à ditadura e o encolhimento do espaço democrático no Brasil sob o governo Bolsonaro. "Nos últimos meses, observamos (no Brasil) uma redução do espaço cívico e democrático, caracterizado por ataques contra defensores dos direitos humanos, restrições impostas ao trabalho da sociedade civil", disse Bachelet.

Pelo Facebook, Bolsonaro respondeu dizendo que a ex-mandatária chilena segue a "linha do Macron em  se intrometer nos assuntos internos e na soberania brasileira, investe contra o Brasil na agenda de direitos humanos (de bandidos), atacando nossos valorosos policiais civis e militares".

O mandatário de extrema direita ainda elogiou a tortura e o assassinato de Alberto Bachelet, pai da comissária da ONU, que era general da Força Aérea chilena na época do golpe militar dado, com o auxílio do governo dos Estados Unidos, contra o governo popular de Salvador Allende, em 11 de setembro de 1973, que levou Augusto Pinochet ao poder. Alberto se posicionou contra a derrubada de Allende, foi preso, torturado e assassinado em fevereiro de 1974 pela ditadura chilena.

"Diz ainda que o Brasil perde espaço democrático, mas se esquece que seu país só não é uma Cuba graças aos que tiveram a coragem de dar um basta à esquerda em 1973, entre esses comunistas o seu pai brigadeiro à epoca", escreveu Bolsonaro.

O presidente ainda publicou uma foto tirada à época da posse de Bachelet como presidente do Chile junto com as ex-presidentes do Brasil, Dilma Rousseff, e da Argentina, Cristina Kirchner. Porém, Bolsonaro não declarou nada sobre a foto.

Planalto/Flickr
Falas do presidente vêm após alta comissária dos direitos humanos da ONU criticar encolhimento do espaço democrático no Brasil

Violência e soberania

Em entrevista ao jornalista Jamil Chade, Bachelet criticou a "negação dos crimes do Estado" por Bolsonaro, que elogia constantemente a ditadura militar no Brasil. Segundo a comissária dos direitos humanos, isso pode gerar um "enraizamento da impunidade e reforçar a mensagem de que agentes do estado estão acima da lei".

Sobre violência contra defensores do meio ambiente e dos direitos humanos, Bachelet afirmou que pediu ao governo "proteger os defensores de direitos humanos e ambientalistas. Mas, também, que olhem as medidas que possam estar gerando a violência". "Estamos preocupados e esperamos que isso seja levado à sério", disse.

A comissária das Nações Unidas ainda criticou a defesa de Bolsonaro e disse que "soberania e fronteiras nacionais estão sendo evocadas para impedir que problemas de direitos humanos sejam levantados e lidados de uma maneira coordenada". 

"A comunidade internacional está sendo alertada a não interferir em assuntos internos ao redor do mundo. Esse é uma preocupação global e uma tendência cada vez maior", afirmou.

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