Chefe de governo de Hong Kong acusa EUA de ingerência em crise na região

"É extremamente inapropriado um país interferir nos problemas internos de Hong Kong", afirmou Carrie Lam em uma entrevista coletiva de imprensa

Redação

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Paris (França)

A chefe de governo de Hong Kong, Carrie Lam, criticou nesta terça-feira (10/09) a ingerência dos Estados Unidos na crise que sacode o território há três meses. No último domingo, militantes pró-democracia se concentraram diante da embaixada americana em Hong Kong para pedir o apoio de Washington.

"É extremamente inapropriado um país interferir nos problemas internos de Hong Kong", afirmou Carrie Lam em uma entrevista coletiva de imprensa nesta terça-feira. Irritada, a líder disse esperar que os manifestantes não voltem a apelar aos Estados Unidos.

No protesto de domingo, os militantes propuseram que Washington adote um projeto de lei em prol do movimento pró-democracia de Hong Kong. A medida poderia interferir nas relações comerciais privilegiadas entre os Estados Unidos e o território, alertou a chefe do executivo.

Apoio ao movimento

Membros da classe política norte-americana, tanto democratas quanto republicanos, vêm expressando seu apoio aos manifestantes. Já o presidente Donald Trump adotou uma posição mais pragmática, fazendo um apelo por uma solução pacífica, mas lembrando que o gerenciamento da crise estava a cargo da China. Washington também rejeitou as alegações de Pequim sobre o apoio aos manifestantes.

Além dos Estados Unidos, a Alemanha também é criticada pelo governo chinês. Pequim expressou sua oposição nesta terça-feira no encontro entre um dos líderes da Revolução dos Guarda-Chuvas, Joshua Wong, e o ministro alemão das Relações Exteriores, Heiko Maas, em um evento organizado em Berlim, na segunda-feira (09/09), promovido pelo jornal Bild.

Seb Daly / RISE via Sportsfile
Carrie Lam disse que EUA interferem na crise política do país

"Algumas mídias e políticos alemães tentam ganhar popularidade e atrair a atenção junto a separatistas anti-China. Fazer um show político é um método extremamente errôneo", afirmou uma porta-voz do ministério chinês das Relações Exteriores, Hua Chunying. Para Pequim, a atitude da Alemanha "é desrespeitosa em relação à soberania da China e uma ingerência em seus problemas internos".

Julgamento de militante que mordeu dedo de policial

O julgamento de um manifestante que teria arrancado a mordidas parte do dedo de um policial durante um protesto em julho começa nesta terça-feira. Segundo a mídia chinesa, o universitário To Kai-wa, de 22 anos, foi preso depois de entrar em conflito com as forças de segurança.

A polícia de Hong Kong é extremamente criticada pelo uso de violência contra os militantes. Por isso, uma das exigências do movimento é a abertura de um inquérito sobre o excesso de força para reprimir os atos.

Na última quarta-feira (04/09), Carrie Lam surpreendeu ao retirar o impopular projeto de lei que permitia extradições para a China. O texto foi o gatilho para os protestos iniciados em junho. No entanto, os militantes prometem continuar ocupando as ruas enquanto o restante de suas demandas não forem cumpridas, entre elas, a renúncia da chefe de governo.

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