Israel: partidos árabes apoiam Gantz e ampliam vantagem do centrista sobre Netanyahu

Coalizão liderada por Gantz chega a 57 assentos no Knesset; Netanyahu conquistou 55 assentos após se juntar com partidos da ultradireita

Após se consultar com o presidente de Israel, Reuven Rivlin, neste domingo (22/09), a chamada Lista Conjunta, majoritariamente formada por partidos árabes, indicou o nome do candidato de centro-direita Benny Gantz para liderar o próximo governo israelense.

O movimento ampliou a vantagem do líder do partido Azul e Branco sobre o atual primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, que ficou atrás da legenda centrista nas últimas eleições realizadas no dia 17 de setembro. Embora o resultado do pleito tenha dado à legenda de Gantz mais assentos do que ao partido do atual premiê - o Azul e Branco ficou com 33 cadeiras e o Likud com 31 - nenhum partido alcançou maioria no Parlamento.

Essa é a primeira vez em 27 anos que os partidos árabes declaram apoio a um candidato sionista para a liderança de um governo no país. Com isso, a coalizão liderada por Gantz chega a 57 assentos no Knesset (Parlamento israelense), restando apenas quatro cadeiras para conquistar a maioria de 61 necessárias para governar. Por sua vez, a coalizão chefiada por Netanyahu conquistou 55 assentos após se juntar com partidos da ultradireita.

"Nós assistimos à eleição mais difícil desde 1948 em termos de incitamento contra cidadãos israelenses árabes. Nós nos tornamos um grupo que não é legítimo na política israelense. Se nós estamos sendo expulsos, então nós tomaremos nosso lugar de direito. Para nós, o mais importante é tirar Benjamin Netanyahu do poder", disse o líder da Lista Conjunta, Ayman Odeh, ao presidente durante consulta.

As legendas ainda afirmaram que não compartilham de certas posições de Gantz e têm "muitas críticas a ele, especialmente sobre [sua postura diante da Faixa de] Gaza". "Mas quando dissemos aos nossos eleitores que faríamos tudo que pudéssemos para tirar Netanyahu do poder, nós percebemos que precisaríamos dar um passo ousado", disseram.

Durante todo o domingo, Rivlin se reuniu com as lideranças dos partidos em uma ação comum no parlamentarismo israelense, quando o presidente se consulta com as legendas para decidir quem é o mais indicado a formar um governo.

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Coalizão liderada por Gantz chega a 57 assentos no Knesset

Netanyahu responde

Após o anúncio do apoio dos partidos árabes a Gantz, Netanyahu condenou a atitude, chamou as legendas de apoiadores de "terroristas que assassinam nossos soldados e cidadãos" e disse que solução é formar "um amplo governo nacional".

"Existem duas possibilidades agora: ou será formado um governo de minoria, que se baseia naqueles que rejeitam Israel como um estado judeu democrático e glorificam terroristas que assassinam nossos soldados e cidadãos, ou um amplo governo nacional se formará", disse o premiê.

Nesta semana, Netanyahu chegou a gravar um vídeo em que pedia a Gantz uma união dos partidos e a formação de um governo de coalizão sob a liderança do atual premiê. A proposta foi rejeitada pelo líder de centro-direita que afirmou que não descarta uma coalizão, desde que sob sua liderança.

"O país foi às urnas e fez uma escolha clara - a nação escolheu unidade. Azul e Branco ganhou as eleições, Azul e Branco é o maior partido. Eu pretendo formar um amplo governo de coalizão liderado por mim, que refletiria a escolha da população", disse Gantz.

O presidente Reuven Rivlin deu por encerradas as consultas neste domingo, após de reunir com as cinco principais legendas da disputa pelo governo israelense: Likud, Azul e Branco, Yisrael Beiteinu, a Lista Conjunta e o Shas.

Entrentanto, Rivlin ainda não concluiu as reuniões que continuarão nesta segunda-feira (23/09), quando o presidente ainda consultará com mais quatro partidos.

Liberman se reúne com Gantz

Após as eleições, o líder do partido ultranacionalista Yisrael Beiteinu, Avigador Liberman, apareceu como um possível definidor da próxima coalizão à frente do governo, por ter conquistado um resultado expressivo de oito assentos.

Neste domingo, Liberman se reuniu com o presidente israelense e não indicou nem Netanyahu, nem Gantz para a liderança do próximo governo. Durante a última semana, ambos os candidatos rejeitaram uma proposta de Liberman para uma ampla coalizão que envolvesse os três partidos.

Entretanto, o ultranacionalista, ex-ministro da defesa no governo de Netanyahu, afirmou mais cedo que recebeu uma ligação de Gantz e que se reunirá com o líder do Azul e Branco ainda nesta segunda-feira.

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