Em meio a protestos, Chile entra em 3º dia consecutivo com toque de recolher

Mais cedo, a polícia reprimiu diversas manifestações em vários pontos da capital; Piñera afirmou na noite deste domingo que o país está 'em guerra'

O general Javier Iturriaga, encarregado pelo governo do presidente Sebastián Piñera de comandar as operações em meio aos protestos no Chile, anunciou nesta segunda-feira (21/10) um toque de recolher em toda a região metropolitana de Santiago a partir das 20h de hoje, até às 6h desta terça-feira (22/10).

Esse é o 3º dia consecutivo que um toque de recolher é decretado no país desde que começaram as manifestações contra o aumento no preço do metrô na última semana.

O toque de recolher ainda levou o metrô de Santiago, palco de diversos protestos nos últimos dias, a interromper as poucas linhas que estão funcionando às 18h30, horas mais cedo do que o habitual.


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Mais cedo, a polícia reprimiu diversas manifestações em vários pontos da capital. Na Praça Itália e Providencia, centenas de manifestantes se reuniram sob a palavra de ordem "Chile despertou".

As forças de segurança utilizaram bombas de gás lacrimogêneo e balas de borracha para reprimir os protestos.

'Guerra'

Em meio à onda de protestos no Chile, o presidente Sebastián Piñera afirmou na noite deste domingo (20/10) que o país está "em guerra" contra um "inimigo poderoso e implacável". Ao menos 11 pessoas já morreram por conta dos protestos, de acordo com o governo.

“Estamos em guerra contra um inimigo poderoso, implacável, que não respeita nada, nem ninguém, e que está disposto a usar a violência e a delinquência sem nenhum limite, que está disposto a queimar nossos hospitais, o metrô, os supermercados, com o único propósito de produzir o maior dano possível”, disse, em declarações à imprensa. "Estamos bem cientes do fato de que [os protestos] têm graus de organização e logística típicos de uma organização criminal."

Ejercito de Chile
Piñera afirmou na noite deste domingo que o país está 'em guerra'

O general Javier Iturriaga, que comanda as operações de toque de recolher e as atividades do Exército na crise, se distanciou das afirmações de Piñera e disse não estar “em guerra com ninguém”. “Sou um homem feliz e a verdade é que não estou em guerra com ninguém.”

Aumento no metrô

Os protestos começaram por causa de um aumento de 30 pesos (R$ 0,20) no preço das passagens de metrô, já suspenso pelo governo, mas também miram a desigualdade econômica e o sistema de aposentadorias do país.

A prefeita da Região Metropolitana de Santiago, Karla Rubilar, disse que as manifestações são um sinal de descontentamento com a classe política do país. “Hoje, temos que aceitar com humildade que esta crise vem de muito tempo e não a soubemos ler, não a vimos chegar”, afirmou nesta segunda (21/10).

Neste final de semana, com o aumento dos protestos, Piñera decretou estado de emergência e impôs toque de recolher na capital Santiago e nas regiões de Valparaíso e Concepción, além de ter colocado o Exército para patrulhar as ruas das cidades.

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