EUA acusam Arábia Saudita de recrutar funcionários do Twitter como espiões

De acordo com os promotores, os ex-funcionários do Twitter recebiam como recompensa relógios de marca e dezenas de milhares de dólares depositados em contas secretas

Redação

Deutsche Welle Deutsche Welle

Bonn (Alemanha)

Dois ex-funcionários do Twitter e um terceiro homem estão sendo processados na Justiça dos EUA por espionagem de contas de opositores do governo da Arábia Saudita na rede social. Eles teriam acessado dados privados de usuários para entregá-los a autoridades sauditas em troca de pagamento, informou nesta quarta-feira (06/11) o Departamento de Justiça dos EUA.

Os denunciados, Ali Alzabarah e Ahmad Abouammo, que trabalhavam para o Twitter, e Ahmed Almutairi, que trabalhava para a família real saudita, são acusados de trabalhar para a Arábia Saudita sem se registrarem como agentes estrangeiros, conforme a denúncia. Alzabarah e Almutairi são sauditas, enquanto Abouammo tem cidadania norte-americana.

De acordo com os promotores, os ex-funcionários do Twitter recebiam como recompensa relógios de marca e dezenas de milhares de dólares depositados em contas secretas.


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O processo pode colocar mais controvérsia na aliança entre EUA e Arábia Saudita e na relação amistosa nutrida pelo presidente Donald Trump com o regime saudita, apesar do histórico de violações aos direitos humanos atribuídos ao governo de Riad.

A Arábia Saudita ainda não comentou publicamente a denúncia. O rei Salman se reuniu nesta quinta-feira na capital saudita com a diretora da CIA, Gina Haspel, informou a agência de notícias estatal da Arábia Saudita. Não foram divulgados, entretanto, detalhes sobre os tópicos discutidos na reunião, da qual também participaram os ministros do Exterior e do Interior da Arábia Saudita e o embaixador dos EUA.

picture-alliance/AP Photo/J. Chiu
Ex-funcionários do Twitter teriam acessado dados de mais de 6 mil contas

Segundo a denúncia, Abouammo acessou repetidamente a conta no Twitter de um conhecido crítico da família real saudita no início de 2015, tendo conseguido acesso ao e-mail, ao endereço e ao número de telefone associados à conta dele. Ele também acessou a conta de um segundo crítico saudita para obter informações privadas.

O Twitter descobriu o acesso não autorizado de Alzabarah aos dados e o colocou de licença no final de 2015. Até então, ele já havia acessado dados de mais de 6 mil contas, incluindo 33 contra as quais as autoridades sauditas haviam apresentado queixa ao Twitter, afirmam os investigadores.

Já Almutairi é acusado de agir como intermediário entre o governo saudita e os funcionários do Twitter.

Abouammo foi preso nos EUA, enquanto as autoridades acreditam que os outros dois, que estão foragidos, estejam na Arábia Saudita.

Aparentemente, eles teriam sido aliciados por um funcionário graduado do governo saudita identificado pelo jornal The Washington Post como Bader al-Asaker, conselheiro próximo do príncipe Mohammad, que agora chefia o escritório particular do príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman, e a fundação de caridade fundada pelo monarca MiSK.

A maioria dos contatos ocorreu em 2014 e 2015, quando bin Salman ainda ascendia ao poder, de acordo com a denúncia dos promotores norte-americanos.

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