Lula deixa prisão de forma triunfante, diz New York Times; veja repercussão

'A simples soltura de Lula pode subverter a política brasileira ao colocá-lo como um rival de esquerda enérgico contra o presidente Jair Bolsonaro', disse NYT

A soltura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na tarde desta sexta-feira (08/11) foi destaque em diversos jornais pelo mundo. O norte-americano New York Times classificou a saída de Lula da prisão como triunfante e afirmou que “a simples soltura de Lula pode subverter a política brasileira ao colocá-lo como um rival de esquerda enérgico contra o presidente Jair Bolsonaro, cujas políticas de extrema direita levaram à profunda polarização do país”.

O site do jornal britânico The Guardian informou que Lula deixou a carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, depois de uma decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) que “alegrou apoiadores e enfureceu seguidores do presidente de extrema direita Jair Bolsonaro”.

O veículo britânico lembrou das revelações publicadas pelo site The Intercept Brasil sobre as conversas entre o então juiz Sergio Moro e os procuradores da operação Lava Jato para levar Lula à prisão.


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O Guardian também destacou as pesquisas que mostravam o ex-presidente à frente da corrida eleitoral do ano passado, mas que sua prisão impediu a candidatura e abriu caminho para a vitória de Jair Bolsonaro (PSL).

Já o diário espanhol El País destacou o contexto em que Lula deixa a prisão. “A liberação de Lula tem uma repercussão política imensa num Brasil muito polarizado. O ex-presidente e, colateralmente o Partido dos Trabalhadores, é o assunto que mais divide aos seus compatriotas, ou o amam ou o odeiam.”

Na América Latina, as páginas iniciais dos maiores veículos de comunicação de vários países também deram destaque para a liberdade de Lula. 

O portal colombiano El Tiempo intitulou “Lula Livre já é uma realidade” e destacou a presença de centenas de pessoas à espera do líder petistas em frente à sede da superintendência da Polícia Federal de Curitiba. 

Já o maior jornal cubano, Granma, reservou a manchete principal para anunciar a liberdade de Lula. Divulgando que depois de agradecer aos militantes da Vigília Lula Livre, o ex-chefe de Estado anunciou uma caravana por todo o país.

“Não prenderam um homem, prenderam uma ideia”, as palavras do primeiro discurso de Lula ao sair da prisão dividiram as manchetes sobre a crise política na Bolívia, no site do jornal Cambio

Ricardo Stuckert
'A simples soltura de Lula pode subverter a política brasileira', disse New York Times

Líderes políticos 

Além dos meios de comunicação, ex-presidentes e candidatos em processos eleitorais em curso celebraram a liberdade de Lula. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro protagonizou uma transmissão em cadeia nacional divulgando imagens ao vivo de Curitiba e relembrando sua relação com o ex-presidente.

Durante o último mandato de Lula, Maduro era Ministro de Relações Exteriores de Hugo Chávez e foi protagonista da assinatura de uma série de acordos entre as duas nações. 

O mandatário venezuelano destacou a importância dos governos de Lula, Hugo Chávez e Nestor Kirchner para a integração da América Latina, com a criação da União de Nações Sul-Americanas (Unasur), o rechaço à Aliança de Livre Comércio para as Américas (Alca) e o fortalecimento do Mercosul. 

“A verdade triunfou no Brasil! Em nome do povo venezuelano, expresso minha mais profunda alegria pela libertação do meu irmão e amigo, Lula, que novamente estará nas ruas para liderar as causas justos dos brasileiros e brasileiras. Viva Lula livre”, escreveu na sua conta na rede social Twitter. 

O presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández, que visitou Lula em Curitiba durante sua campanha, publicou: “É comovente a fortaleza de Lula para enfrentar esta perseguição. Sua firmeza demonstra não só o seu compromisso, mas a imensidão que é esse homem”.

Sua companheira de governo, Cristina Kirchner disse que “termina hoje uma das maiores aberrações de Lawfare da América Latina: a privação ilegítima da liberdade do ex-presidente da República Federativa do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva”. 

Assim como Lula, Cristina Fernández é processada em um caso questionado internacionalmente pela falta de evidências.

Rafael Correa, ex-presidente equatoriano e outra figura que denuncia sofrer perseguição política e jurídica no seu país, publicou um vídeo com a seguinte mensagem: “Um abraço, querido Lula. És exemplo e inspiração para todos nós. Os dias dos traidores estão contados. Até a vitória sempre!”.

O ex-presidente de Honduras, deposto depois de um golpe parlamentar, Manuel Zelaya festejou dizendo que “a voz do povo é como a voz de Deus: tarda, mas não esquece”.

O uruguaio José Pepe Mujica enviou um vídeo à TeleSur, afirmando: "Nunca tive dúvida da integridade do Lula. O povo brasileiro recupera alguém que necessitam para tratar de acabar com a intolerância que foi criada nesses últimos anos".

Também se expressaram o ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo, o candidato presidencial uruguaio pela Frente Ampla, Daniel Martinez, e o pré-candidato democrata norte-americano, Bernie Sanders, que destacou o legado de Lula no combate à pobreza no Brasil.

O presidente de Cuba, Miguel Diaz-Canel, comemorou a soltura de Lula e disse que a liberdade do petista é uma "derrota da estratégia imperial e de seus lacaios". Por sua vez, a prefeita de Paris, Anne Hidalgo, disse que é bom saber que Lula está solto e que espera "por ele o mais rápido possível em Paris, onde ele é Cidadão Honorário".

O Prêmio Nobel Adolfo Pérez Esquivel também felicitou Lula pela soltura e disse que "ventos de refundadores e democráticos na Pátria Grande virão". A prefeita de Barcelona, Ada Colau, afirmou que todas as pessoas "progressistas do mundo todo abrimos um sorriso porque enfim Lula está livre".

 *Com Brasil de Fato

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