Após mais de 12 horas, invasores deixam Embaixada da Venezuela em Brasília

Ao menos 14 pessoas haviam invadido o prédio, e foram retiradas do local sob escolta da Polícia Militar do DF; ato gerou forte repercussão internacional

Após mais de 12 horas, os apoiadores do autoproclamado presidente da Venezuela, Juan Guaidó, deixaram a embaixada do país em ´Brasília, a qual haviam invadido por volta das 5h desta quarta-feira (13/11).

Ao menos 14 pessoas haviam invadido o prédio, e foram retiradas do local com apoio da Polícia Militar do Distrito Federal.

A invasão aconteceu no mesmo dia do início das atividades da 11.ª Cúpula do BRICS. O evento reúne os líderes da Rússia, India, China e África do Sul, países que apoiam a permanência de Nicolás Maduro no poder. Os funcionários da embaixada pediram ajuda pelas redes sociais, e logo parlamentares foram ao local. 

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) foi um dos que entrou na embaixada. Ele relatou que o prédio estava sitiado "por um grupo de brasileiros e de venezuelanos, houve confronto violento. Eles tentaram tomar à força esse espaço. A impressão é que parte deles é de lutadores de academia contratados. É uma clara violação do direito internacional. Há indícios de participação do governo brasileiro na facilitação da invasão da embaixada da Venezuela.”

Diante da forte pressão internacional - que chegou até à ONU - o governo de Jair Bolsonaro negou que tivesse apoiado ou mesmo estimulado a invasão. “O presidente da República jamais tomou conhecimento e, muito menos, incentivou a invasão da embaixada da Venezuela”, diz o comunicado, assinado pelo Gabinete de Segurança Institucional (GSI), pasta comandada pelo ministro general Augusto Heleno. Pelas regras internacionais, cabe ao governo proteger todas as embaixadas estrangeiras em seu território. 

Pouco depois da divulgação da nota do GSI, Bolsonaro usou o seu perfil no Facebook para demonstrar que a invasão da embaixada “por pessoas estranhas à mesma” causou constrangimento ao governo brasileiro, no dia em que Brasília abre a Convenção de Cúpula dos Brics, com presença da China e da Rússia, aliadas do governo Maduro.

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Embaixada da Venezuela em Brasília havia sido invadida por apoiadores de Guaidó

“Já tomamos as medidas necessárias para resguardar a ordem, em conformidade com a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas”, escreveu Bolsonaro. A afirmação do Palácio do Planalto contradisse o deputado federal e filho do presidente, Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que havia tuitado em favor da invasão.

Resposta da Venezuela

Mais cedo, em uma nota dura, o governo da Venezuela havia exigido o fim da invasão. 

“O governo da República Bolivariana da Venezuela exige do governo da República Federativa do Brasil o cumprimento de suas obrigações como Estado parte da Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas, que estabelece a obrigação de proteger as sedes diplomáticas em qualquer circunstância, para o qual requere tomar imediatamente as medidas necessárias para o desalojamento dos agressores das imediações da embaixada, a emissão das cauções e o fim da inaceitável situação de acosso a que está sendo exposto o pessoal diplomático venezuelano em Brasília”, disse

Os invasores chegaram a dizer que teria havido “deserção” dentro da embaixada, informação negada pelo governo da Venezuela. “A Venezuela alerta sobre a falsidade de informações de que os invasores fizeram circular por distintos meios, dando a entender que suas ações ilegais e violentas haviam sido realizadas com a vênia do pessoal diplomático venezuelano, afirmação que carece absolutamente de toda a veracidade, e que não busca outra coisa que tentar atenuar suas responsabilidades ante os delitos cometidos.”

A chancelaria venezuelana classificou a situação de “insólita”, e acusou os policiais brasileiros de manterem uma “atitude passiva”. “A Embaixada na República Federativa do Brasil foi objeto de um assalto cometido por grupos violentos afeitos à oposição política venezuelana, os quais invadiram de maneira forçosa a sede da missão diplomática em Brasília, ante a atitude passiva das autoridades policiais brasileiras, em desatenção a suas obrigações de proteção das sedes diplomáticas e de seu pessoal”, afirma a nota da chancelaria.


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