Bolívia: Em um mês, 23 pessoas morreram em protestos no país

Comissão Interamericana de Direitos Humanos também disse que 715 pessoas ficaram feridas; o órgão ainda classificou como 'grave' o decreto que isenta agentes da força pública de segurança em protestos

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) afirmou na noite deste sábado (16/11) que em um mês o número de mortos na Bolívia chegou a 23. 

De acordo com a comissão, somente na sexta-feira (15/11) nove pessoas morreram e 122 ficaram feridos durante um protesto que foi reprimido pelas forças de segurança do Estado. No total mensal, 715 pessoas ficaram feridas.

A CIDH ainda disse que cinco pessoas foram mortas atingidas por balas. O órgão ainda apontou que três jornalistas foram agredidos enquanto exerciam seu trabalho em meio aos protestos. 


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Ainda no sábado, o governo da autoproclamada presidente da Bolívia, Jeanine Áñez, publicou o decreto 4078 que autoriza os militares "que participe das operações de restauração da ordem e da estabilidade pública, ficará isento de responsabilidade criminal quando, em cumprimento de suas funções constitucionais, atuar em legítima defesa ou estado de necessidade".

A comissão dos direitos humanos classificou o decreto como "grave" e disse que o texto "viola a obrigação dos Estados de investigar, processar e punir violações dos direitos humanos".

Reprodução
Manifestantes carregavam a bandeira whiphala, símbolo dos povos originários e do Estado Plurinacional boliviano, fundado por Evo Morales

"A CIDH condena qualquer ato administrativo do governo da Bolívia que viole o direito à verdade, à justiça e ao direito internacional dos direitos humanos, particularmente no contexto de ações das Forças Armadas em protestos sociais", afirmou o órgão pelo Twitter. 

Golpe de Estado

O presidente da Bolívia, Evo Morales, renunciou ao cargo no último domingo (10/11) após um golpe de Estado inciado pelos partidos opositores que perderam as últimas eleições presidenciais. O anúncio veio depois de os militares "sugerirem" que ele renunciasse.

"Lamento muito este golpe. A luta não termina aqui", disse o presidente, durante discurso após a renúncia. "Até aqui, chegamos pela pátria, não pelo dinheiro. Se alguém diz que estamos roubando, que apresente uma prova sequer. [...] Não estou escapando. Nunca roubei, que demonstrem se roubei. Foi um golpe cívico-policial", disse o presidente.

Morales ainda destacou que sua renúncia se dava na intenção de pacificar o país, ao mesmo tempo em que condenou as atitudes dos líderes opositores Carlos Mesa, candidato derrotado no último pleito, e Luis Fernando Camacho.

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