Interpol está me procurando por crimes que não existem, diz Evo Morales

Segundo o ex-presidente, as elites bolivianas não o perdoam, e nem aos seus funcionários, por terem mudado a Bolívia; governo autoproclamado acusa Morales de 'terrorismo'

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales, exilado no México, disse nesta quarta-feira (27/11) que a notificação azul emitida contra ele pela Organização Internacional de Polícia Criminal (Interpol) é baseada em crimes que não existem. A promotoria do governo autoproclamado após o golpe de Estado no país confirmou nesta quinta-feira (28/11) que pediu à organização internacional que investigue Morales.

"A Interpol está me procurando por crimes que não existem", afirmou o ex-mandatário, que ainda disse que a investigação é uma questão de racismo por ser indígena. Em coletiva de imprensa, Morales disse que o pedido do governo autoproclamado é uma luta "ideológica" e de "classes". Segundo o ex-presidente, as elites bolivianas não o perdoam, e nem aos seus funcionários, por terem mudado o país.


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O pedido realizado pela promotoria boliviana se enquadra na chamada "notificação azul" da Interpol, o que delimita a investigação à "coleta de informações adicionais sobre a identidade, localização ou atividades de uma pessoas em relação a um crime". A promotoria boliviana acusa Morales de "terrorismo, crimes de sedição e instigação ao delito".  

ABI
Evo Morales está exilado no México após sofrer um golpe de Estado na Bolívia

O promotor Williams Alave disse que o departamento boliviano de combate ao crime tem realizado investigações contra Morales. "Através da Interpol, esse alerta azul foi ativado, o que significa que essa pessoa está sendo investigada e a polícia internacional tomama conhecimento dessa investigação", afirmou Alave.

Prisão

Ainda nesta quarta-feira, a ministra das Relações Exteriores do governo autoproclamado, Karen Longaric, oficializou um pedido de prisão contra ex-ministros de Morales que estão exilados dentro da embaixada do México em La Paz, capital da Bolívia. 

"A chanceler Karen Longaric recebeu a embaixadora mexicana na Bolívia para entregar cópias de ordens de apreensão para cinco solicitantes de asilo, a pedido da Procuradoria Geral da República", disse a chancelaria boliviana pelo Twitter. 

Horas antes, Longaric disse que, até o momento, tinha quatro mandados para os ex-ministros Juan Ramón Quintana e Wilma Alanoca.

Golpe

O ex-presidente Evo Morales foi forçado a renunciar ao cargo no último dia 10 de novembro por conta de um golpe de Estado encabeçado por grupos opositores que não reconheceram a vitória do ex-mandatário nas últimas eleições presidenciais. Com apoio das Forças Armadas e da polícia, opositores invadiram o palácio de governo e protagonizaram diversos episódios de violência contra apoiadores de Morales.

Após o golpe, a senadora de direita Jeanine Áñez se autoproclamou presidente interina do país e vem alterando diversas políticas implementadas durante a gestão de Morales. As perseguições contra militantes do Movimento ao Socialismo, partido de Evo, e movimentos populares simpatizantes ao ex-presidente também são registradas no país. 

Desde então, Evo e o ex-vice-presidente Álvaro García Linera estão exilados no México, para onde voaram após receberem diversas ameças de prisão e de morte por parte dos grupos golpistas. 

(*) Com ABI.

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