COP25 reúne mais de 190 países em Madri para discutir impactos do aquecimento global

Secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a humanidade precisa escolher entre a 'esperança' de um mundo melhor e a 'rendição'

Redação

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Roma (Itália)

Começou nesta segunda-feira (02/12), em Madri, na Espanha, a Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas, a COP25, que era para acontecer em Santiago, mas mudou de sede por causa dos protestos no Chile.

Em seu discurso de abertura do evento, o secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a humanidade precisa escolher entre a "esperança" de um mundo melhor e a "rendição". "Nós realmente queremos ser lembrados como a geração que escondeu a cabeça na areia enquanto o planeta queimava?", questionou.

Guterres citou dados que mostram que a concentração de gases do efeito estufa no planeta atingiu um nível recorde e disse que, se não houver uma ação rápida para conter as emissões, "todos os nossos esforços para combater as mudanças climáticas estão destinados ao fracasso".

O Acordo de Paris sobre o clima, assinado em 2015, tem como principal meta manter o aquecimento global neste século inferior a 2ºC acima dos níveis pré-industriais, mas com esforços para limitar essa expansão a 1,5ºC. O aumento, no entanto, já gira em torno de 1ºC, o que aponta para um descumprimento do objetivo.

"Há 10 anos, se os países tivessem agido guiados pela ciência, eles precisariam ter reduzido as emissões em 3,3% por ano. Agora precisamos cortar as emissões em 7,6% por ano", acrescentou o secretário-geral.

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Secretário-geral da ONU, António Guterres, alertou que a humanidade precisa escolher entre a 'esperança' de um mundo melhor e a 'rendição'

Negociações

A COP25 acontece até 13 de dezembro e reúne 196 países, cujos negociadores tentarão encontrar maneiras de reduzir as emissões de gases do efeito estufa, fenômeno que está na origem do aquecimento global e da atual crise climática no planeta.

As tratativas também buscam definir as regras dos mercados de carbono - venda de créditos de países mais verdes para nações mais poluentes - e mecanismos de ajuda para Estados vulneráveis.

Os maiores emissores de poluentes, como Estados Unidos, China e Índia, enviaram apenas delegações ministeriais ou de segundo escalação para a cúpula - o presidente Donald Trump já formalizou a retirada dos EUA do Acordo de Paris, que terá efeito em 4 de novembro de 2020.

A COP25 acontece sob presidência do Chile, apesar da mudança de sede, com apoio logístico da Espanha e da União Europeia. A ativista sueca Greta Thunberg chegará em Lisboa nesta terça-feira (03/12), após atravessar o Atlântico de veleiro, e também deve participar da cúpula.

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