Venezuela: Denúncias de corrupção atingem aliados de Guaidó e abrem crise na oposição

Esta não é a primeira denúncia envolvendo o autoproclamado presidente e seus aliados: em setembro, membro de grupo paramilitar colombiano admitiu ter ajudado Guaidó a cruzar fronteira

Uma investigação divulgada no último domingo (01/12) revelou denúncias de corrupção contra aliados do líder opositor venezuelano, Juan Guaidó. As informações desencadearam uma crise na oposição, que tenta derrubar o presidente Nicolás Maduro.

A investigação jornalística publicada pelo site Armando.Info aponta o envolvimento de nove deputados da oposição – alguns da Comissão de Controladoria do Parlamento – em manobras em favor do empresário colombiano Carlos Lizcano, apontado como “subalterno” de Alex Saab e Álvaro Pulido, acusados pelos Estados Unidos de lavagem de dinheiro na compra de alimentos no exterior para as lojas Clap, que fazem parte da rede de abastecimento alimentar do país.

Os legisladores, de acordo com a investigação, teriam enviado pedidos de "indulgência" para Lizcano às autoridades da Colômbia e dos Estados Unidos, afirmando que ele não estaria envolvido nos crimes supostamente cometidos por Saab e Pulido. Os deputados negam que teriam feito um pedido para “aliviar” a situação para Liszcano e dizem que há uma “guerra suja” em curso.

Após a denúncia, Guaidó, como presidente do Legislativo, suspendeu os parlamentares. Além disso, os principais partidos da oposição - Vontade Popular e Primeiro Justiça – excluíram de suas bancadas legislativas cinco dos deputados que aparecem no relatório do Armando.Info. As legendas também anunciaram investigações internas para determinar "responsabilidades" e possíveis "sanções".

Alan Santos/PR
Denúncias de corrupção atingiram deputado opositor Juan Guaidó

A denúncia é mais um golpe na já combalida tentativa do deputado opositor, que se autoproclamou presidente no começo do ano e que vem com popularidade em queda, de derrubar o governo.

No próximo dia 5 de janeiro, Guaidó terminará seu mandato à frente do Parlamento. Embora existam acordos para sua continuidade, grupos minoritários criticam sua estratégia contra o chavismo e outros estão em negociações com Maduro.

Paramilitares

Em setembro deste ano, vieram à tona ligações de Guaidó com um grupo paramilitar narcotraficante colombiano. Um membro do grupo "Los Rastrojos", Iván Posso Pedroso, capturado pelas autoridades venezuelanas, disse que a facção criminosa auxiliou o deputado na travessia ilegal da fronteira entre os dois países.

Ainda segundo o paramilitar preso, o grupo enviou apenas os "melhores elementos" para essa operação devido "ao valor" de quem iriam transportar. Pedroso também afirmou que a facção criminosa participou do plano com interesses de ter privilégios das autoridades no futuro.

Além disso, fotografias divulgadas no mesmo mês pelo ativista colombiano dos direitos humanos e líder da Fundação Progresso Norte de Santander, Wilfredo Cañizares, mostram Guaidó abraçado com John Jairo Durán, conhecido como El Menor, e Albeiro lobo Quintero, conhecido como Brother. O primeiro era o chefe máximo da organização criminosa, enquanto o segundo era o chefe de finanças. Ambos foram presos pelas autoridades colombianas em junho.

(*) Com RFI

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