Ofensiva dos EUA contra Irã é nociva aos povos do mundo, diz Consulta Popular

Organização que reúne diversos movimentos sociais do Brasil afirmou que ataque norte-americano 'trata-se de um atentado contra a soberania nacional dos dois países, Irã e Iraque'

A organização Consulta Popular, que reúne diversos movimentos sociais de todo o Brasil, condenou neste domingo o ataque norte-americano ordenador pelo presidente Donald Trump sobre o aeroporto de Bagdá, capital do Iraque, que matou o general iraniano Qassim Sloeimani, e disse que a ofensiva dos EUA é nociva aos povos do mundo.

"Trata-se de um atentado contra a soberania nacional dos dois países, Irã e Iraque. A ofensiva imperialista dos EUA é nociva aos povos do mundo", disse a organização em nota.

Segundo a Consulta Popular, "a medida de Trump ocorre em ano eleitoral nos EUA, quando sabemos seu governo sofre desgaste e por isso reedita a velha prática de intervenção estrangeira que garanta apoio interno ao seu governo".


FORTALEÇA O JORNALISMO INDEPENDENTE: ASSINE OPERA MUNDI


A organização ainda garantiu que se junta "às forças democráticas e anti-imperialistas no repúdio contra mais esse ataque contra a soberania dos povos".

Leia a nota na íntegra:

A organização Consulta Popular repudia a ofensiva imperialista dos Estados Unidos que, desde o dia 2, assassinou o general Qassem Soleimani, membro do alto escalão do governo iraniano, ao lado de sete pessoas mortas em bombardeio, em solo iraquiano, a partir do ataque de um drone.  

Tasnim/Mehdi Pedramkhoo
Organização afirmou que ataque norte-americano 'trata-se de um atentado contra a soberania nacional dos dois países, Irã e Iraque'

Trata-se de um atentado contra a soberania nacional dos dois países, Irã e Iraque. Menos de 48 horas depois, um ataque aéreo na fronteira da Síria com o Iraque atingiu uma base militar usada por tropas pró-Irã. 

Os EUA, desde a década de 90, sem capacidade de um robusto crescimento econômico, perdendo espaço geopolítico para China e Rússia, e em busca do controle de reservas de petróleo, ataca governos não alinhados com a sua política. 

Para isso, o imperialismo lança mão de intervenções diretas, como ocorre no Iraque desde os anos 1990, no Afeganistão (desde 2001) e noutros países. Lança mão também de intervenções indiretas, patrocinadas por seu governo, que apenas fomentam ações terroristas, como se tem visto na Líbia e atualmente na Síria. Ou simplesmente os EUA promovem desestabilização, guerra econômica, bloqueios e golpes contra governos progressistas, como experimentamos em nossa América Latina. 

No Irã, em particular, nada se justifica e as hostilidades são absurdas. O país estava aberto às negociações para não-proliferação de armas nucleares, iniciadas em 2015, negociações rompidas unilateralmente pelo governo Trump, em 2018. 

Agora, sem consulta ao Congresso estadunidense, ou a qualquer organismo internacional, atacando o integrante de um governo legítimo, a atual manobra escancara a face autoritária do governo Trump, a quem o governo Bolsonaro, no Brasil, presta continência. 

A medida de Trump ocorre em ano eleitoral nos EUA, quando sabemos seu governo sofre desgaste e por isso reedita a velha prática de intervenção estrangeira que garanta apoio interno ao seu governo. 

A ofensiva imperialista dos EUA é nociva aos povos do mundo. 

A organização Consulta Popular soma-se às forças democráticas e anti-imperialistas no repúdio contra mais esse ataque contra a soberania dos povos. Reivindicamos o direito à soberania nacional do Irã e do Iraque, bem como nos solidarizamos com seus povos. 

São Paulo, 5 de janeiro de 2020.

Direção Executiva da organização da Consulta Popular

Comentários