Fim da presença maligna dos EUA no Oriente Médio começou, diz chanceler do Irã

'Você ainda imagina que pode quebrar a vontade desta grande nação e seu povo?', disse o chanceler

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, disse nesta segunda-feira (06/01) que o fim da presença norte-americana no Oriente Médio começou. As declarações do chanceler vêm em meio a uma escalada de tensão entre Teerã e Washington após um bombardeio sobre o aeroporto de Bagdá, no Iraque, ordenado por Donald Trump na última quinta-feira (02/01) matar o general da Guarda Revolucionária do Irã Qassim Soleimani.

"Você ainda imagina que pode quebrar a vontade desta grande nação e seu povo? O fim da presença maligna dos EUA na Oriente Médio já começou", disse o chanceler pelo Twitter, onde também compartilhou fotos de grandes passeatas realizadas no país em memória de Soleimani.

"Você já viu um mar de gente na sua vida, Donald Trump? Você ainda quer ouvir os palhaços que te aconselham sobre nossa região?", questionou Zarif. 


FORTALEÇA O JORNALISMO INDEPENDENTE: ASSINE OPERA MUNDI



Mais cedo, Trump afirmou pelo Twitter que o Irã "nunca terá uma arma nuclear" no país. A fala do mandatário norte-americano faz referência à declaração do governo iraniano deste domingo (05/01) sobre a saída completa do país do acordo nuclear

Ainda nesta segunda-feira, o presidente dos EUA voltou a fazer declarações sobre os "52 alvos" que Washington supostamente têm localizados no Irã e que, segundo Trump, são "muito importantes para o Irã e a cultura iraniana".

O mandatário norte-americano já havia afirmado no domingo que, em caso de um ataque iraniano contra os EUA, o país islâmico seria "atacado como nunca foi antes". 

"Os Estados Unidos gastaram apenas dois trilhões de dólares com equipamentos militares. Nós somos os maiores e de longe os melhores no mundo! Se o Irã atacar alguma base norte-americana, ou algum norte-americano, nós iremos enviar alguns dos novos e lindos equipamentos no caminho deles... e sem hesitação!", disse.

Vahid Ahmadi/Tasnim
Manifestantes queimam bandeiras de Israel e Estados Unidos após morte de Qassem Soleimani

O presidente do Irã, Hassan Rouhani, respondeu ao ataque de Trump dizendo que "aqueles que se referem ao número 52 deveria também se lembrar do número 290. Nunca ameace a nação iraniana". 

A declaração de Rouhani faz referência ao ataque norte-americano a um avião civil iraniano em julho de 1988, que matou 290 pessoas, todos que estavam a bordo.

Reino Unido

Nesta segunda-feira, o porta-voz do primeiro-ministro do Reino Unido, Boris Johnson, disse que o governo britânico não irá apoiar os Estados Unidos em um possível ataque contra o Irã. 

"Você pode consultar as convenções internacionais. Está no documento da Convenção de Haia de 1954 a proteção a bens culturais durante conflitos armados", disse o representante. 

Segundo o jornal The Guardian, o britânico afirmou que ambos os países tem uma "parceria próxima" e se mantêm em diálogo. 

Acordo Nuclear

No domingo (05/01), o governo iraniano anunciou a saída do país do acordo nuclear declarando que não obedecerá nenhuma restrição "em áreas operacionais". 

"O programa nuclear do Irã não aceita nenhuma restrição nessas áreas e irá continuar a se desenvolver de acordo com as necessidades técnicas do país", anunciou Teerã. Segundo a agência do país IRNA, governo iraniano "está pronto a retornar aos compromissos do acordo nuclear uma vez que as sanções sejam removidas e que o país se beneficie do pacto".

No acordo nuclear, firmado em 2015, o Irã havia se comprometido a não enriquecer urânio acima de 3,67%, número insuficiente para construir bombas atômicas, mas útil para produção de energia. Além disso, o país havia aceitado reduzir o seu estoque atual de cerca de dez toneladas de urânio com baixo enriquecimento para 300 quilos.

Ainda nesta segunda, o Ministério das Relações Exteriores da Rússia emitiu um comunicado dizendo que os parceiros do acordo devem "manter" o pacto nuclear como "prioridade". "Manter os acordos e garantir sua implementação deve permanecer como uma prioridade para os parceiros", disse Moscou. 

Neste sábado (11/01) está prevista uma reunião entre o presidente russo Vladimir Putin e a chanceler da Alemanha, Angela Merkel, em Moscou, capital da Rússia, para discutir a escalada de tensão entre os Estados Unidos e o Irã. 



Comentários