Países do Oriente Médio não devem sacrificar seus vizinhos pelos EUA, diz chanceler do Irã

'Os países da região verão que os Estados Unidos os deixarão sozinhos em tempos difíceis', disse Javad Zarif

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, disse nesta terça-feira (07/01), em um encontro em Teerã, que alguns países do Oriente Médio que são aliados dos Estados Unidos não precisam sacrificar seus vizinhos em prol do governo norte-americano.

"Os países da região verão que os Estados Unidos os deixarão sozinhos em tempos difíceis", disse o chanceler completando que o Irã "está de braços abertos à região, sem cobiça. A única cobiça é ter segurança e estabilidade".

As declarações de Zarif ocorrem em meio a uma escalada de tensão entre Irã e Washington após um bombardeio sobre o aeroporto de Bagdá, no Iraque, na última quinta-feira (02/01), matar o general da Guarda Revolucionária iraniana Qassem Soleimani.


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O chanceler ainda afirmou que o Irã "não espera que os vizinhos combatam os EUA", mas destacou que a solução para algumas nações é "aceitar alguns princípios" como "o respeito à soberania nacional e à integridade territorial" dos países vizinhos. "Se os países da região estiverem prontos, isso pode ser feito em várias áreas, desde que eles desejem paz e segurança, e não o apoio dos EUA", disse. 

Zarif ainda afirmou que projetos econômicos, nucleares, de turismo e enriquecimento conjunto entre os países poderiam formar uma cooperação entre os Estados do Oriente Médio. O ministro destacou que um jeito de ter segurança é -"trabalhando juntos".

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Javad Zarif afirmou que os países do Oriente Médio podem fazer uma cooperação e projetos juntos

ONU

Na noite de segunda-feira (06/01), o governo dos Estados Unidos teria negado um visto ao chanceler para participar de uma reunião no Conselho de Direitos Humanos da Nações Unidas (ONU), segundo informações publicadas pela revista Foreign Policy.

Aos jornalistas, Zarif disse que não estava interessado em viajar a Nova York, mas afirmou que poderia ter "sido uma boa chance de discutir os crimes dos EUA".

"Me negar um visto, em violação ao Acordo da Sede da ONU de 1947, não é nada em comparação a [Mike] Pompeo ameaçando causar fome aos iranianos (crime contra a humanidade); a Trump falando sobre patrimônio cultural (crime de guerra); a uma economia terrorista e a um assassinato covarde. Mas do que eles têm medo? Da verdade?", disse pela sua conta no Twitter.

Fim da presença maligna

O ministro das Relações Exteriores do Irã, Javad Zarif, disse ainda na segunda-feira que o fim da presença norte-americana no Oriente Médio começou. "Você ainda imagina que pode quebrar a vontade desta grande nação e seu povo? O fim da presença maligna dos EUA na Oriente Médio já começou", disse o chanceler pelo Twitter, onde também compartilhou fotos de grandes passeatas realizadas no país em memória de Soleimani.


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