Irã recua e admite que derrubou avião ucraniano por engano

Em comunicado oficial, país afirma que o avião foi acertado por um "erro humano" originado pelo "aventureirismo" norte-americano

Atualizada às 11h57

Em um comunicado emitido neste sábado (11/01) pelo presidente iraniano Hassan Rouhani, o Irã recuou de sua posição sobre a causa da queda do Boeing 737-800, que caiu em Teerã na última terça-feira (07/01) com 176 pessoas, entre tripulantes e passageiros, e admitiu hoje que o voo da Ukrainian Airlines foi abatido por um míssil por engano.

Hassan Rouhani lamentou o erro humano que causou o trágico acidente do avião e disse que aqueles que cometerem um erro tão imperdoável serão processados e investigados, informa a agência IRNA.

De acordo com o texto publicado no site oficial da presidência iraniana, o erro aconteceu em meio a uma atmosfera de "intimidação" pelo governo americano contra a nação iraniana "após o assassinato do general Qasem Soleimani", do qual o Irã tentava se defender.

"Para nos defendermos de possíveis ataques do exército americano, as Forças Armadas da República Islâmica do Irã estavam em alerta total, infelizmente levando a esta terrível catástrofe que matou dezenas de pessoas inocentes por causa de erro humano e disparos errôneos ", observou o comunicado.


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Ainda de acordo com o comunicado, Hassan Rouhani afirmou que "a nação iraniana e as famílias das vítimas serão informadas dos resultados das investigações.

Em sua conta no Twitter, o O ministro das Relações Exteriores, Mohammad Javad Zarif, pediu desculpas pela catástrofe.

"É um dia triste. Conclusões preliminares da investigação interna pelas Forças Armadas: erro humano em tempos de crise causada pelo aventureirismo dos americanos. Nosso profundo arrependimento, desculpas e condolências ao nosso povo, às famílias de todas as vítimas e às outras nações afetadas"

Fotos Públicas
presidente iraniano Hassan Rouhani, o Irã recuou de sua posição sobre a causa da queda do Boeing 737-800

A agência de notícias Fars informa que, em mensagem neste sábado (11/01), o líder supremo da Revolução Islâmica aiatolá Ali Khamenei estendeu novamente suas condolências pela morte dos passageiros do avião ucraniano e "ordenou às Forças Armadas que tomassem as medidas necessárias para encontrar falhas e defeitos que levaram ao incidente doloroso".

Em sua mensagem o líder também ressaltou a necessidade de os diretores e oficiais iranianos realizarem os acompanhamentos necessários para evitar a repetição de tais incidentes no futuro.

Em uma entrevista coletiva neste sábado (11/01) o general Amir Ali Hajizadeh, presidente da seção aeroespacial da guarda revolucionária iraniana, também lamentou o acidente dizendo que "preferia estar morto a testemunhar um acidente semelhante", informa a agência de notícias iraniana Tasnim

O general disse assumir toda a responsabilidade sobre o acontecimento e detalhou o que motivou o erro. "O operador de uma base de defesa aérea perto de Teerã confundiu o avião condenado com um míssil de cruzeiro, mas não conseguiu obter uma confirmação de comandos mais altos por causa de um problema com o sistema de comunicação e finalmente decidiu disparar no alvo, pois teve que tomar uma decisão em apenas 10 segundos", disse na entrevista, informa a Tasnim.


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