Cuba e Evo Morales rechaçam ameaças de Guaidó contra emissora teleSur

Neste domingo (12/01), o autoproclamado presidente da Venezuela disse que a rede de comunicação passará por um 'processo de reorganização' para 'colocá-la à serviço da verdade e da pluralidade'

Lideranças políticas de diversos países rechaçaram nesta terça-feira (13/01) as ameaças contra a emissora multiestatal latino-americana teleSur feitas pelo deputado opositor e autoproclamado presidente interino da Venezuela Juan Guaidó, que anunciou a intenção de impor um "processo de reorganização" dentro da rede.

No domingo (12/01), Guaidó disse pela sua conta no Twitter que havia tomado uma decisão de realizar uma "substituição" de "sinal" dentro da teleSur. Sem apresentar provas, o autoproclamado presidente interino afirmou que a emissora "promove uma desestabilização" na região e prometeu que a reestruturação serviria para "colocá-la à serviço da verdade e da pluralidade".

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, repudiou o ataque de Guaidó contra a emissora e disse que o povo cubano é contra as "ameaças aos que resistem ao imperialismo". O mandatário ainda afirmou que a ilha rechaça todos os que tentam calar a "voz" dos que lutam. "Rechaçamos fortemente ameças contra a voz e a imagem dos povos que lutam e resistem à investida imperial, desde a nossa América e o mundo". afirmou.


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A presidente da teleSur, Patricia Villegas Marin, se pronunciou sobre as declarações do deputado e afirmou que o opositor "fala o que não sabe" e do que "não entende". Segundo Marin, a emissora seguirá com seu trabalho, que é "merecedor de amplo reconhecimento mundial".

Villegas Marin ainda comentou sobre a  ligação de Guaidó com o grupo paramilitar narcotraficante da Colômbia Los Rastrojos e ironizou a tentativa do deputado de pular a grade do prédio da Assembleia Nacional no dia da votação que o derrotou na disputa para a presidência do órgão legislativo do país.

"O deputado fala do que não sabe e do que claramente não entende. [Você entende] de fotos na fronteira com Los Rastrojos e de como pular portões. Nós seguimos", disse. 

"Ameaças nas redes sociais para um meio de comunicação, curiosamente daqueles que se gabam de defender a liberdade de expressão. Jornalistas, corporações, instituições e Estados tomem nota. A teleSur continuará com seu trabalho merecedor de reconhecimento mundial", disse Villegas Marin.


Jonas Pereira/Agência Senado
Deputado opositor disse que a teleSur terá "processo de reorganização" dentro da emissora

O ex-mandatário da Bolívia Evo Morales afirmou que os "golpistas" da Venezuela querem "roubar" o sinal da emissora, que,  segundo Morales, é a "voz dos humildes" da América Latina e Caribe. 

"Os golpistas venezuelanos agora anunciam o roubo do sinal da teleSur, a voz dos humildes latino-americanos e caribenhos. Querem impor uma única voz ao mundo, que fale apenas por eles e para eles. Eles querem apagar a memória da luta e da história. Não poderão", disse.

Diosdado Cabello, presidente da Assembleia Nacional Constituinte da Venezuela, manifestou apoio à emissora e afirmou que Guaidó não "conseguirá" destruir o que "Hugo Chávez fundou". Cabello ainda afirmou que a teleSur é referência no "equilíbrio informativo" do que acontece na América.

"Desde sua criação, a teleSur se tornou a referência obrigatória para o equilíbrio informacional do que está acontecendo na América. Aqueles que jamais construíram nada, hoje querem destruí-la e eles não conseguiram e nem podem o que o grande Hugo Chávez fundou. Nós venceremos", disse.

O sociólogo argentino Atilio Boron também se posicionou contra o deputado opositor e afirmou que Guaidó, um "lambe-botas" de Donald Trump, será "esmagado" pelo povo venezuelano nas próximas eleições no país.

"Guaidó, o maior lambe-botas de Trump, quer tirar teleSur da grade de canais da América Latina em nome da liberdade de imprensa. Um déspota em potencial! Mas o povo venezuelano vai esmagá-lo com uma avalanche de votos", disse.

A ex-deputada colombiana Piedade Córdoba também utilizou seu perfil no Twitter para repudiar as ameaças do autoproclamado presidente. Córdoba apoiou o movimento com a hashtag #VivateleSur para afirmar que a rede é o "canal das causas justas".

O ministro da Cultura da Venezuela, Ernesto Villegas, rechaçou as declarações de Guaidó e disse que os opositores falam de pluralidade, mas "lutam pelo monopólio da informação".

"Não é Juan Guaidó quem fala, mas os Estados Unidos através de sua triste marionete. Eles estão irritados com a contribuição modesta, mas incisiva da teleSur ao direito à informação de nossos povos. Eles falam de 'pluralidade', mas lutam pelo monopólio da informação das empresas. Vade retro", disse.

A emissora teleSur é uma multiestatal para a América Latina com sede em Caracas, capital da Venezuela, e foi fundada em 2005 por iniciativa do ex-presidente venezuelano Hugo Chávez, com apoio de Cuba, à época governada por Fidel Castro, de Néstor Kirchner, à época presidente da Argentina, e Bolívia, com Eduardo Rodríguez.

Hoje, a teleSur possui correspondentes em diversas cidades do mundo e é financiada pelos governos da Venezuela, Cuba, Equador, Bolívia e Uruguai.

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