Denúncia do MPF contra Glenn Greenwald é repudiada por entidades e políticos

Medida foi vista como um ataque à liberdade de imprensa; relator da ONU sobre liberdade de expressão cobrará explicações do governo brasileiro

Depois que o jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept Brasil, foi denunciado pelo Ministério Público Federal em Brasília (MPF) nesta terça-feira (21/01), entidades de imprensa e de juristas, políticos e a Organização das Nações Unidas reagiram à medida, vista como um ataque à liberdade de imprensa. 

O relator da ONU sobre liberdade de expressão, David Kaye, disse que cobrará explicações do governo brasileiro a respeito da denúncia do MP contra o jornalista. Em entrevista ao colunista do Uol, Jamil Chade,  o relator afirmou achar "extremamente preocupante que isso possa fazer parte de um esforço para intimidá-lo para que pare de fazer jornalismo", disse.

Em nota publicada em seu site e assinada pelo presidente Paulo Jeronimo de Sousa, a Associação Brasileira de Imprensa (ABI) repudiou a decisão do MPF. Diz a nota que a ABI "manifesta sua irrestrita solidariedade ao jornalista Glenn Greenwald diante da denúncia absurda apresentada à justiça por um procurador do Ministério Público Federal". De acordo com a nota a denúncia "representa um atentado à constituição brasileira, um desrespeito ao STF e à Polícia Federal, bem como uma tentativa grotesca de manipulação, para tentar condenar o jornalista". 


Michael Nov / Flickr
Glenn Greenwald, jornalista do site The Intercept Brasil

Outra entidade que se manifestou sobre o assunto foi a Associação Brasileira de Juristas pela Democracia. A associação afirmou que "considera lamentável a decisão do MPF (Ministério Público Federal) de denunciar o jornalista Glenn Greenwald na operação chamada 'Spoofing'". Para a ABJD "As liberdades de imprensa e de expressão já foram bastante atacadas ao longo do ano de 2019, tendo o jornalista e sua equipe sofrido severas perseguições pela divulgação de material de altíssimo interesse público". 

Em sua conta no Twitter o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva também prestou sua solidariedade ao jornalista, "vítima de mais um evidente abuso de autoridade contra a liberdade de imprensa e a democracia", escreveu.  

A ex-presidente Dilma Rousseff, também pelo Twitter, disse que "A denúncia do MPF contra @ggreenwald é um grave atentado à liberdade de imprensa. É inadmissível num país democrático, sendo também uma clara afronta à liminar em sentido contrário concedida pelo STF", afirmou. 

Greenwald foi denunciado por organização criminosa pelo Ministério Público Federal de Brasília,  pois segundo o MPF o jornalista "auxiliou, orientou e incentivou" supostos hackers que teriam invadido os celulares de autoridades brasileiras, como o ministro da Segurança Pública, Sergio Moro, e o procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa da Lava Jato no MPF em Curitiba.

O repórter não era investigado nem havia sido indiciado pela Polícia Federal, que não encontrara indícios de delitos, mas o MPF decidiu denunciá-lo por organização criminosa. 


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