Venezuelanos vão às ruas para celebrar 62 anos da derrubada do ditador Pérez Jiménez

Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, se manifestou e prestou uma homenagem 'à memória dos mártires' que lutaram contra o autoritarismo de Marco Pérez Jiménez, que governou o país de dezembro de 1952 a janeiro 1958

Milhares de manifestantes saíram às ruas em diversas cidades da Venezuela nesta quinta-feira (23/01) para celebrar o aniversário de 62 anos da queda do ditador Marco Pérez Jiménez e protestar contra os ataques norte-americanos ao país. 

A marcha foi convocada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e se concentrou na praça Sucre para então caminhar em direção ao Palácio Miraflores, sede do governo venezuelano. O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, parabenizou o povo venezuelano pelas manifestações e prestou uma homenagem "à memória dos mártires" que lutaram contra o autoritarismo de Jiménez. 

"Presto homenagem à memória dos mártires que lutaram para resgatar os caminhos libertários da Pátria, que neste 23 de janeiro, 62 anos depois dessa rebelião popular histórica, nos encontramos em união civil-militar, consolidando o espírito democrático original desta data", disse Maduro pelo Twitter.


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A manifestação também deu boas-vindas às entidades políticas internacionais que participarão do primeiro encontro de partidos e movimentos sociais de esquerda que será realizado em Caracas, capital do país. 

"Neste 23 de janeiro, todos os homens, mulheres, jovens, campesinos, trabalhadores e estudantes vão marchar junto com os delegados e delegadas do Congresso Internacional de Partidos Políticos e Movimentos Sociais do Mundo", disse Darío Vivas, vice-presidente do setor de mobilizações do PSUV.

Manifestantes nas ruas de Caracas, capital da Venezuela (Reprodução)


"Contra traição, para a rua. Contra a traição ao povo, o povo se mobiliza para resgatar aquela ação e a luta que foi travada em 23 de janeiro. Vamos comemorar na rua", afirmou Vivas.

A manifestação desta quinta-feira também rechaçou as tentativas de intervenções dos Estados Unidos na Venezuela. O presidente da Assembleia Nacional Constituinte do país, Diosdado Cabello, afirmou que a nação latino-americana está "disposta à lutar" contra o "imperialismo e seus lacaios".

"Yankes, vão para casa. Fora da Pátria Grande, não somos quintal de nenhum império. O imperialismo deve saber que estamos dispostos à lutar cada milímetro de espaço político, sempre ao lado do povo, cada batalha deve ser travada com paixão. Nós venceremos", disse.

Cabello usou sua conta do Twitter para defender a "independência" venezuelana contra "qualquer inimigo" que "cometa o erro de nos atacar". "Da Pátria Grande, do berço de Bolívar e de Chávez, os povos livres gritam ao imperialismo, contra qualquer inimigo que cometa o erro de nos atacar. Nós venceremos", afirmou Cabello.

Ditadura

A Venezuela foi governada por Marco Pérez Jiménez de dezembro de 1952 a janeiro 1958. Nesse tempo, o presidente perseguiu opositores e torturou presos políticos. O autoritarismo de Jiménez durou até 23 de janeiro de 1958, quando os venezuelanos convocaram uma greve geral, manifestações e embates com as forças militares do governo. O ditador fugiu para a República Dominicana e a presidência foi assumida por uma junta provisória que convocou eleições diretas no país.

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