Protestos contra reforma da previdência na França levam mais de 1 milhão às ruas, afirmam sindicatos

Mais de 350 mil pessoas marcharam na capital Paris; nova jornada de mobilização já está marcada para 29 de janeiro

Silvano Mendes

RFI RFI

Paris (França)

A 7ª jornada de mobilização nacional na França nesta sexta-feira (24/01) foi marcada por passeatas em mais de cem cidades na França. Segundo os sindicatos, 1,3 milhão de pessoas foram às ruas em todo o país, entre elas mais de 350 mil apenas na capital Paris. Os números do governo divergem, afirmando que apenas 250 mil manifestantes foram contabilizados.

Aos gritos de “Macron, demissão”, milhares de pessoas desfilaram pelas ruas da França. Em Paris, a passeata percorreu um trajeto no centro da cidade, terminando na place de la Concorde, aos pés da avenida Champs-Elysées e não muito longe do palácio do Eliseu, sede da presidência. Um forte esquema de segurança foi montado, temendo tumulto e atos de vandalismo na dispersão do protesto, mas nenhum incidente grave foi registrado.

Ao contrário das jornadas de mobilização anteriores, quando o transporte público em Paris praticamente não funcionou, nesta sexta-feira trens e metrôs circulavam parcialmente.


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Apesar dos mais de 50 dias de greve que afetam principalmente os transportes públicos, o governo segue inflexível e apresentou o projeto de reforma da previdência aos ministros nesta sexta-feira, ao mesmo tempo em que aconteciam as passeatas. O texto começa a ser debatido na Assembleia em 17 de fevereiro.

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Mais de 350 mil pessoas marcharam na capital Paris

“Se o governo apresenta no Conselho dos Ministros o projeto de lei, isso quer dizer claramente que Macron desistiu de convencer e que sua intenção é de vencer. E isso é o pior em uma sociedade democrática”, disse o líder da esquerda, Jean-Luc Mélenchon.

Uma pesquisa de opinião realizada pelo instituto BVA e publicada nesta sexta-feira aponta que 70% dos franceses acham que o movimento deve continuar. Já um outro estudo, feito pelo instituto Odoxa, afirma que 56% dos entrevistados querem que a greve pare.

Uma nova jornada de mobilização já está marcada para 29 de janeiro.

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