Trump tentou forçar saída de embaixadora na Ucrânia, revela vídeo

'Livre-se dela', disse o presidente a aliados em 2018; Marie Yovanovitch é figura-chave no processo de impeachment

Redação

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Bonn (Alemanha)

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ordenou em 2018 a demissão de Marie Yovanovitch, então embaixadora norte-americana na Ucrânia e uma das figuras centrais do julgamento de impeachment do republicano, segundo um vídeo revelado pela imprensa dos EUA neste sábado (25/01).

"Livre-se dela! Tire-a amanhã. Eu não ligo", afirma o presidente na filmagem, que se passa no Trump International Hotel em Washington. "Livre-se dela amanhã. Tire ela. Ok? Faça isso", insiste o mandatário. Yovanovitch foi removida do cargo em maio de 2019.

A gravação de quase 90 minutos teria sido feita em abril de 2018 durante um jantar de angariação de fundos com doadores, e divulgada à imprensa por um advogado de Lev Parnas, um empresário próximo ao advogado pessoal de Trump, Rudy Giuliani.


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Parnas e seu parceiro de negócios Igor Fruman são peças importantes na campanha do presidente norte-americano para pressionar o governo da Ucrânia a investigar o democrata Joe Biden, possível adversário de Trump nas eleições presidenciais deste ano. Foi esse o caso que motivou a abertura do processo de impeachment contra ele no Congresso norte-americano.

A ordem do presidente para a demissão da embaixadora veio depois de Parnas dizer a ele que Yovanovitch era um entrave e acusá-la de ter menosprezado o mandatário.

Trump vinha alegando que não conhece Parnas. O empresário, por sua vez, que é um doador do Partido Republicano, contou que foi até a Ucrânia para pressionar autoridades do país em nome do presidente e de seu advogado Giuliani.

White House/Flickr
'Livre-se dela', disse o presidente a aliados em 2018

Em entrevista à rede MSNBC na semana passada, Parnas afirmou que Trump "sabia exatamente o que estava acontecendo" em relação aos seus esforços e aos de Fruman para pressionar os ucranianos a investigarem Biden.

O vídeo revelado agora corrobora com muito do que Parnas afirmou em sua entrevista à televisão, inclusive que ele de fato conhecia Trump, o que o presidente tem negado.

Sua aparição na imprensa ocorreu depois de os democratas terem divulgado documentos que mostram que Giuliani trabalhou com Parnas para pressionar Kiev.

Os mesmos documentos indicam que Parnas e Fruman tentaram, junto a autoridades ucranianas, forçar a saída de Yovanovitch, uma respeitada diplomata de carreira que Trump acabaria demitindo no ano seguinte.

Em depoimento ao Congresso em novembro, Yovanovitch afirmou que ela foi removida do cargo devido a "alegações infundadas e falsas de pessoas com motivos claramente questionáveis".

Tanto Parnas quanto Fruman foram acusados de violar leis de financiamento de campanhas eleitorais em outubro do ano passado.

Joseph Bondy, advogado de Parnas, disse que ele apresentou a gravação como evidência aos investigadores da Câmara dos Representantes, controlada pelos democratas. Ele também disse à CNN que Parnas tinha mais fotos e vídeos que poderiam ser divulgadas ao público.

A revelação da filmagem aumenta a pressão sobre os senadores norte-americanos para que intimem testemunhas a depor no âmbito do julgamento do impeachment, que agora tramita no Senado.

No sábado, os advogados da Casa Branca deram início à defesa de Trump, argumentando que o presidente não cometeu qualquer ilegalidade em suas negociações com a Ucrânia e que os eleitores norte-americanos – e não o Congresso – deveriam decidir seu destino.

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