Evo apresenta candidato do MAS à presidência e promete resgatar a democracia na Bolívia

Chapa do MAS é formada por Luis Arce e David Choquehuanca; Morales afirmou que o binômio do partido permitirá 'garantir o crescimento econômico' e 'continuar com o processo de mudanças' sociais

O ex-presidente da Bolívia Evo Morales apresentou nesta segunda-feira (27/01) o candidato à presidência do país, Luis Arce, pelo partido Movimento ao Socialismo (MAS), e prometeu resgatar a democracia após sofrer um golpe de Estado em 10 de novembro. 

"Com Luis e David temos uma dupla para recuperar a democracia, evitar o confronto e garantir o crescimento econômico", disse. 

A candidatura do MAS é formada por Arce e David Choquehuanca como vice-presidente. Morales afirmou que o binômio do partido permitirá "garantir o crescimento econômico" e "continuar com o processo de mudanças" sociais.


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O ex-presidente disse ainda que alguns setores sociais não estavam de acordo com a decisão da chapa Arce e Choquehuanca, mas Morales destacou que a indicação foi pensada para garantir e melhorar o setor econômico da Bolívia e afirmou que o candidato à presidência é "um irmão de muito compromisso, que está aqui pela pátria e não pelo dinheiro".

Arce, por sua vez, afirmou que o golpe de Estado na Bolívia também "foi econômico", já que o governo da autoproclamada presidente do país, Jeanine Áñez, está "revertendo todos os avanços conquistados durante o mandato de Morales".

"Somos o país que teve a menor taxa de desemprego na região, somos o país que reduziu significativamente a moralidade materna e infantil, o abandono escolar, reduzimos a desigualdade entre ricos e pobres", disse o ex-ministro da Economia.

Reprodução
Ex-presidente Evo Morales e luis Arce, candidato à presidência da Bolívia pelo MAS

Em uma entrevista coletiva de imprensa na Argentina, onde Morales está exilado, o ex-mandatário afirmou que o governo transitório do país "é uma ditadura" e que precisa parar com as "perseguições políticas, com as acusações de terrorismo e com sedição". 

"A ditadura de [Jeanine] Áñez acredita que são um governo de transição, mas para nós é um golpe, uma ditadura. Se fossem um governo de transição não teriam o porque mudar o modo econômico e começar a privatizar", afirmou.

Na noite de sexta-feira (24/01), Áñez anunciou sua candidatura à presidência na próxima eleição geral da Bolívia, em 3 de maio, fechando uma aliança com quatro partidos políticos.

Pelo Twitter, a autoproclamada presidente disse que pretende "continuar com o trabalho" que seu governo interino "vem realizando".

"Querida família boliviana, foi tomada a decisão de me apresentar como candidata para as eleições nacionais. Conseguimos construir uma grande aliança porque queremos continuar com o trabalho que temos realizado. Muito obrigado por todo o apoio, podemos fazer juntos", disse.

O anúncio foi rechaçado por Arce que afirmou "gerar enormes dúvidas sobre a transparência do processo eleitoral". Tanto Arce como Morales fizeram um chamado à comunidade internacional para que "ajude" a "garantir eleições democráticas" na Bolívia. 

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