Candidato de Macron à prefeitura de Paris renuncia devido a escândalo sexual

Decisão foi anunciada após a divulgação na internet de vídeos com conteúdo sexual, mostrando uma relação extraconjugal

Daniella Franco

RFI RFI

Paris (França)

Reviravolta na campanha pelas eleições municipais em Paris a apenas um mês da votação. O candidato do partido presidencial, Benjamin Griveaux, renunciou nesta sexta-feira (14/02) à corrida pela prefeitura da capital. A decisão foi anunciada após a divulgação na internet de vídeos com conteúdo sexual, mostrando uma relação extraconjugal.

"Minha família não merece isso. Ninguém deveria ser alvo de tanta violência", afirmou Benjamin Griveaux em coletiva de imprensa nesta sexta-feira. "Ontem, um novo limite foi ultrapassado. Sites realizaram ataques absurdos questionando minha vida privada", reiterou o deputado do partido A República em Marcha.

O ex-porta-voz do governo de 42 anos se refere a prints de mensagens de celular e vídeos de conteúdo sexual divulgados no site Porno Politique. Nas imagens, o nome "Benjamin Griveaux" aparece como o autor de SMS e gravações enviadas a uma mulher.


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Apesar de ter condenado a divulgação do material, o deputado não negou ser o autor das mensagens e dos vídeos. "Essa decisão me custa caro, mas minhas prioridades são muito claras. Primeiro vem a minha família, vocês entenderam bem", frisou o ex-candidato.

As gravações, intituladas de “presente antes do jantar” e “presente da manhã antes de despertar”, mostram um homem se masturbando. Nas mensagens, o autor também pede que a interlocutora lhe reenvie um vídeo, seguido do comentário: “que peitos!”.

Em outra conversa, o autor pergunta: “você tem família ou você ainda não é prisioneira de filhos e marido?”. A pessoa responde: “não, sou muito jovem, sou livre”.

Wikicommons
Decisão foi anunciada após a divulgação na internet de vídeos com conteúdo sexual, mostrando uma relação extraconjugal

Russo assume divulgação de material

O artista russo Piotr Pavlenski, que foi condenado em 2019 a dois anos de prisão com direito a sursis por ter incendiado a fachada de uma sucursal do Banco da França em 2017, afirmou que foi ele quem colocou na internet as mensagens e os vídeos em que Griveaux aparece se masturbando. "Ele afirma ter obtido o material de uma 'fonte' que mantinha uma relação consentida com Benjamin Griveaux", publica o jornal Libération em seu site.

Pavlenski declarou ao diário que, com o ato, pretende "denunciar a hipocrisia" do candidato à prefeitura de Paris. "É alguém que defende insistentemente os valores da família, que diz que queria ser o candidato das famílias e sempre cita como exemplo sua mulher e seus filhos. Mas ele faz o contrário de tudo isso", destaca o artista.

"Não me incomoda que as pessoas tenham a sexualidade que queiram. Elas podem mesmo transar com animais, não tem problema para mim. Mas as pessoas têm que ser honestas", completa o russo de 35 anos.

"Ele quer ser o chefe de uma cidade, mas ele mente aos eleitores. Agora eu vivo na França, sou parisiense, isso é importante para mim", ressalta Pavlenski, em entrevista ao jornal Libération.

Terceiro lugar nas pesquisas

A campanha de Benjamin Griveaux não estava sendo fácil, após a decisão de um outro político do partido A República em Marcha, Cédric Villani, anunciar uma candidatura dissidente em Paris. O candidato de Macron estava em terceiro lugar nas pesquisas, atrás da atual prefeita socialista, Anne Hidalgo, que lidera as sondagens, e da conservadora Rachida Dati, do partido Os Republicanos.

A prefeita da capital francesa reagiu à divulgação do polêmico vídeo nesta manhã, pedindo "o respeito da vida privada e das pessoas". "As parisienses e os parisienses merecem um debate digno", reiterou Hidalgo.

O partido A República em Marcha realizou uma primeira reunião nesta manhã. Ao que tudo indica, a sucessora de Griveaux será uma mulher, mas seu nome ainda não foi definido.

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