Hoje na História - 1791: Morre o compositor austríaco Mozart

Hoje na História - 1791: Morre o compositor austríaco Mozart

Max Altman

Acamado e bastante debilitado, o brilhante compositor austríaco começa a compor seu Réquiem. Estando sob os cuidados de sua mulher e de sua cunhada, ele se dá conta com profunda tristeza que não será capaz de completar a obra. Mozart morre em 5 de dezembro de 1791 aos 35 anos ante a indiferença geral. O compositor seria enterrado em Viena numa fossa comum. Foi um de seus alunos Süssmayer quem terminaria o Requiem.

Wolfgang Amadeus Mozart nasceu em Salzburgo a 27 de janeiro de 1756. Seu nome de batismo era Johannes Chrisostomus Wolfgang Theophilus Mozart. Foi um dos mais espantosos exemplos de precocidade na história da arte: desde os três anos de idade revelou excepcional aptidão para música, estudando cravo com seu pai, Leopold Mozart.

Wikipedia

Retrato póstumo de Mozart, feito em 1819

Apresentou-se ao público pela primeira vez na universidade de Salzburgo, em 1761. Aos seis anos, Mozart compôs seu primeiro minueto para piano. O pai compreendeu o benefício que podia tirar desse pequeno prodígio. Levou-o junto com a irmã Nannerl para várias viagens a fim de exibi-los, primeiro à corte imperial de Viena, depois a diversas cidades européias e finalmente a Paris, onde Mozart provocou grande entusiasmo.

De volta a Salzburgo, aos 12 anos Mozart compôs sua primeira ópera bufa. Apesar da oposição dos musicistas rivais, a ópera foi executada em Salzburgo, em 1769. Aos 16 anos já tinha composto quase 200 peças em todos os gêneros. Em 1769 viajou para a Itália, onde suas obras tiveram sucesso crescente e mais tarde a Paris e várias outras cidades européias.

Em 1779, alguns meses após a morte de sua mãe, retornou à Salzburgo, e em 1781 se estabeleceu em Viena e no ano seguinte casou-se com Constanze Weber. Aí conheceu seus dois principais libretistas, o padre Da Ponte e o comediante Schikaneder.

Nos dez últimos anos de vida compôs as suas maiores obras para o palco e parte importante de sua música instrumental. A ópera As bodas de Fígaro entusiasmou os habitantes de Praga, que a aclamaram em 1786. A Praga também coube a honra, no ano seguinte, de emitir os primeiros aplausos para Don Giovanni.

Ouça o Concerto nº21 de Mozart:



À medida que trabalhava com maior afinco na busca da perfeição, Mozart vivia em dificuldades: seu matrimônio naufragava, os filhos morriam prematuramente, dívidas, desprezo e incompreensão. Obrigado a trabalhar incessantemente, pois suas produções jamais lhe renderam para que pudesse viver sem preocupações financeiras, teve sua saúde bastante prejudicada. O casal vivia da generosidade de uns poucos amigos e só em 1787 lhe foi concedida, pelo imperador José II, uma pensão anual como compositor da corte.

Leia mais:
Hoje na História: 1924 - Morre o compositor italiano Giacomo Puccini
Hoje na História: 1977 - Morre a grande diva da ópera Maria Callas
Hoje na História - 1778: Scala de Milão é inaugurado com sua primeira ópera
Hoje na História: 1953 - Morre Eugene Gladstone O'Neill, dramaturgo norte-americano

Mozart costuma ser citado como um elo da cadeia do Classicismo vienense, entre Haydn e Beethoven. Mozart porém não foi o continuador de Haydn nem o antecessor de Beethoven. Usou a linguagem do seu tempo e sua obra está impregnada do estilo da época. Mas na criação desse estilo algo impessoal foi mestre inconfundível. Figura exponencial no desenvolvimento final da ópera napolitana, foi também um dos maiores mestres da nova concepção da sonata na época.

Criou obras-primas da música instrumental, nos últimos anos do século XVIII. Seu poderoso senso arquitetônico elaborou estruturas perfeitas, coerentes, tanto na música instrumental como na dramática. Hoje está desfeita a imagem de um Mozart rococó, preciosista. Outro Mozart subsiste, mais complexo e soturno, em parte da sua música de câmara, nas sinfonias, nas sinfonias concertantes e nas grandes óperas.

Mozart teve um funeral de terceira categoria, debaixo de forte tempestade e acompanhado de uns poucos amigos. Foi enterrado numa fossa comum, com uma dúzia de cadáveres de indigentes. Não houve monumento nem lápide. Dez anos depois, a viúva voltou ao cemitério, mas os restos do imortal compositor não haviam sido respeitados.

Mais Hoje na História:
4/12/1969: Panteras Negras Fred Hampton e Mark Clark são mortos a tiros
3/12/1947: 'Um Bonde Chamado Desejo' é encenada pela primeira vez
2/12/1917: Rússia firma Tratado de Brest-Litovski com as Potências Centrais
1/12/1934: Serguei Kirov é assassinado em Leningrado


As obras de Mozart são identificadas pelo prefixo K, seguida de um número que designa a ordem cronológica das composições. O K vem do nome de Ludwig von Köchel, que organizou um catálogo das obras de Mozart, publicado em 1862, sob o título de Registro cronológico-temático de todas as obras musicais de W.A.Mozart. Em alemão a sigla é KV, isto é, Köchel-Verzeichnis. Uma revisão definitiva desse catálogo foi elaborada por Alfred Einstein, em 1937.

 

Siga o Opera Mundi no Twitter
Conheça nossa página no Facebook

Comentários

Leia Também