Palestinos teriam oferecido boa parte de Jerusalém a Israel

Palestinos teriam oferecido boa parte de Jerusalém a Israel

Thaís Romanelli

Negociadores palestinos concordaram, secretamente, em permitir que Israel anexasse todos os seus assentamentos no leste de Jerusalém, exceto um, o Har Homa. A informação é da rede de notícias Al Jazeera, que na noite do domingo (23/02) divulgou cerca de 1,7 mil páginas de correspondências diplomáticas. Os documentos foram trocados após reuniões entre os negociadores israelenses e palestinos com os mediadores norte-americanos, documentos internos de trabalho, e-mails e mapas que correspondem a negociações mantidas entre 1999 e 2010.

Segundo a Al Jazeera, a oferta teria diso feita em 2008, pelo principal negociador palestino Ahmed Qureia, mas foi recusada pelo então ministro das Relações Exteriores de Israel, que a considerou inadequada. "Esta é a primeira vez na história que fazemos tal proposta", disse Qureia, segundo o jornal The Guardian, que também divulgou os documentos vazados.

Leia mais:
Assange adianta que publicará documentos 'polêmicos' sobre Israel
Wikileaks: EUA foram informados por Israel sobre operação militar em Gaza
Blog especial do Opera Mundi reúne cobertura dos vazamentos do Wikileaks
Por dentro do Wikileaks 3: Openleaks, a grande mídia e o jornalismo 
Por dentro do Wikileaks 2: muito além do furo   
Fundador do Wikileaks se entrega à polícia britânica   
Por dentro do Wikileaks: a democracia passa pela transparência radical 
 Wikileaks e o futuro da internet 
Opera Mundi entrevista Julian Assange: 'é fascinante ver os tentáculos da elite americana corrupta' 


Além disso, as correspondências revelam que líderes da ANP (Autoridade Nacional Palestina) teriam debatido sigilosamente a possibilidade de conceder o bairro árabe de Sheikh Jarrah aos judeus. A criação de um comitê conjunto para controlar os sítios sagrados de Haram al-Sharif, na Velha Jerusalém, também teria sido proposto pelo negociador aos israelenses.

Reação palestina

Para os palestinos, as possíveis concesssões são consideradas uma heresia, já que abrem mão de partes da cidade sagrada, que esperam um dia ter como capital. Os documentos oferecem uma importante perspectiva do processo de paz no Oriente Médio, que vem fracassando nos últimos 20 anos.

O chefe da equipe de negociação palestina, Saeb Erekat, negou nesta segunda-feira (24/01) que os documentos secretos divulgados estejam certos, e ofereceu-se mostrar os originais. Em entrevista à emissora local de rádio Voz da Palestina, Erekat declarou  que os documentos, que revelam concessões "sem precedentes" da OLP (Organização para a Libertação da Palestina) a Israel, "não são fiéis à realidade", e rejeitou confirmar ou negar seus conteúdos.

"A Autoridade (Nacional) Palestina está disposta a publicar todos os documentos e arquivos relativos às negociações com Israel para esclarecer a postura palestina à população árabe e palestina", assegurou Erekat em comunicado.

"Os palestinos nunca abandonamos a postura que sempre foi defendida por Yasser Arafat e o presidente Mahmoud Abbas", disse Erekat, que acrescentou que sua equipe "sempre esteve comprometida com as leis e resoluções internacionais nas negociações com Israel".

"Se, como os documentos (da Al Jazeera) dizem, fizemos concessões históricas aos israelenses, por que estes não aceitaram uma oferta tão beneficente?", questionou.

O presidente da ANP, Mahmoud Abbas também se manifestou sobre a polêmica divulgação dos documentos."Não se de onde a Al Jazeera tirou esses papéis secretos. Não temos nada a ocultar, nossos irmãos árabes sabem tudo porque os informamos de todos os detalhes" das negociações, disse o líder à agência de notícias palestina Wafa.


Siga o Opera Mundi no Twitter  
Conheça nossa página no Facebook


Comentários