Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
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Em resposta ao anúncio dos Estados Unidos de que a África do Sul não será convidada para a cúpula do G20 em 2026, na Flórida, Pretória declarou nesta quinta-feira (27/11) que é membro do grupo “por direito próprio” e que “não tolera insultos de outros países”.

Em publicação na última quarta-feira (26/11) na rede Truth Social, o presidente dos EUA, Donald Trump, disse que Washington não participou da cúpula das 20 maiores economias do mundo realizada no último final de semana na África do Sul porque o governo africano “se recusa a reconhecer ou abordar as terríveis violações dos direitos humanos sofridas pelos afrikaners”.

O republicano faz referência à suposta violência sofrida pelos descendentes de colonos holandeses, franceses e alemães no país africano. “Para ser mais direto, eles estão matando pessoas brancas e permitindo que suas fazendas sejam tomadas”, afirmou, em mais uma acusação sem provas.

“No final do G20, a África do Sul se recusou a entregar a Presidência do grupo a um representante sênior da nossa embaixada, que participou da cerimônia de encerramento. Portanto, sob minha orientação, a África do Sul NÃO receberá um convite para o G20 de 2026, que será sediado na grande cidade de Miami, Flórida, no próximo ano”, anunciou.

Trump acrescentou que a África do Sul “não é um país digno de ser membro em lugar algum” e que todos os “pagamentos e subsídios” norte-americanos enviados ao país africano serão “interrompidos com efeito imediato”.

Diante das acusações de Trump, Pretória afirmou que continuará “a participar como membro pleno, ativo e construtivo do G20″
The Presidency/X

Por sua vez, o presidente da África do Sul, Cyril Ramaphosa, declarou por meio de um comunicado que seu país é membro do G20 “em seu próprio nome” e que a participação no grupo “se dá por exigência dos demais membros”.

“A África do Sul é um país soberano, constitucional e democrático, e não tolera insultos de outros países quanto à sua condição de membro e à sua legitimidade para participar de plataformas globais”, declarou.

Classificando as declarações de Trump como “lamentáveis”, Pretória lembrou que a “Cúpula de Líderes do G20 África do Sul 2025, que contou com a presença de diversos chefes de Estado e de Governo, foi considerada por todos os membros presentes como uma das cúpulas mais bem-sucedidas”.

“A África do Sul sempre valorizou o espírito de consenso, colaboração e parceria que define o G20 como o principal fórum para a cooperação econômica internacional. Em consonância com essa abordagem, esperava-se que os EUA participassem de todas as reuniões do G20 durante a Presidência sul-africana, mas, infelizmente, optaram por não comparecer à Cúpula de Líderes do G20 em Joanesburgo por vontade própria”, lamentou o presidente.

Apesar da ausência de Trump, diversas entidades dos EUA, como empresas e organizações da sociedade civil, participaram “em grande número de atividades relacionadas ao G20”.

“A África do Sul valoriza essa participação”, afirmou Ramaphosa, ressaltando que seu país “respeita a soberania de todos os países e jamais insultará ou menosprezará outro país, sua posição ou sua importância na comunidade das nações”.

Diante das acusações de Trump, Pretória afirmou que continuará “a participar como membro pleno, ativo e construtivo do G20” e apelou aos demais membros que “reafirmem o seu funcionamento contínuo no espírito do multilateralismo”.

“É lamentável que, apesar dos esforços e das inúmeras tentativas da África do Sul para restabelecer as relações diplomáticas com os EUA, o presidente Trump continue a ser vingativo e a procurar aplicar medidas punitivas”, concluiu, afirmando que as denúncias de violência contras brancos no país são “desinformação e distorções”.