Sexta-feira, 13 de março de 2026
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A polícia italiana prendeu Reinhard Doring Falkenberg, cidadão alemão acusado de sequestrar opositores durante a ditadura de Augusto Pinochet, no Chile. Falkenberg foi preso no dia 22 de setembro em Forte dei Marmi, na região da Toscana, no centro da Itália. Ele havia saído de Gornau, no norte da Alemanha, para fazer uma viagem de férias com a esposa. 

O alemão é acusado de participar do sequestro de Juan Maino Canales, Elizabeth Rekas e Antonio Elizondo. Os três foram presos pela Dirección de Inteligencia Nacional (Dina) – polícia política de Pinochet – em 26 de maio de 1976. 

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Os presos políticos passaram pela Villa Grimaldi, uma prisão localizada em Santiago, e foram transferidos para Colônia Dignidade, complexo fundado em 1961 pelo ex-membro da juventude hitlerista Paul Schäfer, que abrigava nazistas que fugiam da Alemanha e que, durante a ditadura chilena, foi transformado em um centro de detenção de opositores. Os corpos de Maino, Rekas e Elizondo nunca foram encontrados.

Outros responsáveis pela morte e desaparecimento do ítalo-chileno Maino foram condenados à prisão perpétua pela justiça italiana em julho passado no julgamento que ficou conhecido como processo Condor. O caso julgava a morte de cidadãos italianos ocorridos no âmbito da operação Condor durante os regimes militares sul americanos. 

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Reinhard Falkenberg era procurado pela Interpol pelo sequestro de três desaparecidos durante ditadura chilena; ele estava de férias com a esposa

Wikicommons

Alemão era procurado pela Interpol pelo sequestro de três desaparecidos durante ditadura de Pinochet

Após ter fugido do Chile em 2005, Falkenberg passou a viver em Gronau, cidade localizada no norte da Alemanha. Ele era procurado pela Interpol.

Segundo Mario Russo, vice-comissário de polícia de Forte dei Marmi, as autoridades receberam o alerta assim que o nome de Reinhard foi inserido no sistema informático do hotel no qual estava hospedado. 

“Ele estava com uma comitiva de idosos e foi cordial conosco”, disse Russo. “O conduzimos para averiguação da identidade e após a confirmação de que era realmente ele, foi detido e mantido em custódia cautelar, medida que foi confirmada posteriormente pela justiça”.

Dois dias após a prisão, foi emitida uma medida cautelar contra Falkenberg a pedido do procurador-geral. Na última terça-feira (28/09), ele foi ouvido no Tribunal de Firenze em audiência para convalidar a prisão preventiva. A defesa, por sua vez, pediu que o réu respondesse em liberdade.

O Ministério da Justiça se manifestou comunicando ao tribunal de apelação a inexistência de elementos que impeçam a extradição e solicitando a manutenção da prisão preventiva. Já nesta quinta-feira (30/09), os juízes da Corte de Apelação decidiram mantê-lo preso por “apresentar perigo de fuga”. Uma próxima audiência está prevista para julgar o pedido de extradição ao Chile.