Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Os grupos da oposição síria estão ganhando controle do território do país e podem vencer a guerra contra o presidente Bashar al Assad, afirmou nesta quinta-feira (13/12) o vice-chanceler russo, Mikhail Bogdanov. A inesperada declaração vem do principal aliado do governo sírio e pode sinalizar uma modificação significativa nos rumos da resolução do conflito.

“Nós temos que encarar os fatos: existe uma tendência do governo de perder, progressivamente, o controle de uma extensa parte do território”, disse o ministro, citado pela Associated Press. “Uma vitória da oposição não pode ser excluída de nossas previsões”. É a primeira vez que Moscou admite a possibilidade de derrota do regime de Assad na batalha que já deixou pelo menos 40 mil mortos em apenas 20 meses.

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É a primeira vez que Moscou reconhece a possibilidade de derrota; declaração pode sinalizar uma modificação significativa nos rumos da resolução do conflito

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Bogdanov, enviado especial do Kremlin para assuntos do Oriente Médio, também disse que o governo russo está preparando planos para evacuar seus cidadãos da Síria caso seja necessário. 

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Agência Efe (11/12/12)

Um dos membros do Exército Livre da Síria, uma das principais organizações da luta armada contra Bashar al Assad

As afirmações surgem em um momento de avanço da luta armada das organizações rebeldes no país, que conquistaram o controle de território contínuo em Damasco. Nesta quinta-feira (13/12), um carro-bomba explodiu em uma cidade próxima a capital que é amplamente habitada por soldados do governo e deixou pelo menos 16 pessoas mortas. Na noite de ontem (12/12), a sede do Ministério do Interior, no coração de Damasco, foi alvo de explosão e pelo menos cinco pessoas morreram, entre elas um parlamentar.

Apesar de ter reconhecido o avanço das forças opositoras, o ministro russo reiterou que o presidente sírio não vai deixar o poder e assegurou o apoio de seu governo a Assad. “A luta se tornará ainda mais intensa e vocês vão perder dezenas de milhares de pessoas ou talvez, ainda mais, centenas de milhares”, disse ele para os rebeldes segundo a Reuters. “Se esse preço para derrubar o presidente parece aceitável para vocês, o que podemos fazer?”.

Bogdanov explicou que as autoridades russas vão permanecer fiéis ao acordo estabelecido em Genebra em junho deste ano com o Grupo de Ação para a Síria, formado pelos membros do Conselho de Segurança e países da região (Catar, Turquia, Kuwait e Iraque). O documento sugere a negociação entre as partes e a criação de um governo de transição composto por membros do atual regime e dos grupos de oposição. Por exigências da Rússia e da China, o texto não exclui a participação de Assad e de outros oficiais do alto-escalão da próxima administração. 

A Rússia, junto da China, vetou três resoluções do Conselho de Segurança da ONU que impunham medidas punitivas ao governo de Assad e abriam caminho, até mesmo, para a intervenção militar no país. Além de apoio junto a comunidade internacional, Moscou, antigo aliado do regime sírio, continuou a enviar armamento às autoridades sírias.

Apoio internacional a oposição

Ontem (12/12), no encontro dos “Amigos da Síria”, mais de cem governos reconheceram oficialmente a CNFROS (Coalizão Nacional Síria das Forças de Oposição e da Revolução) como os representantes legítimos do país. Foi a primeira vez que os Estados Unidos declararam apoio formal aos grupos rebeldes o que sinaliza uma mudança no engajamento das autoridades norte-americanas com o conflito sírio. 

Agência Efe (12/12/12)

Quarta conferência dos “Amigos da Síria” em Marrakesh, no Marrocos, foi marcada pelo reconhecimento da CNFROS

Nas vésperas da reunião, o presidente Barack Obama já havia anunciado a decisão e explicou o apoio a CNFROS por ser um grupo aberto e representativo, incluindo diferentes etnias e religiões.

Muitos analistas acreditam que o crescente papel de grupos anti-americanos na insurgência síria pode ter motivado a a atitude da Casa Branca que agora, aponta uma tentativa de participar (ou controlar) o processo de transição política que se seguirá à queda de Assad de acordo com os seus próprios interesses na região. 

Armas

Os “amigos da Síria” não se comprometeram, no entanto, a enviar armas para os opositores que lutam no país e nem se oferecerão apoio militar, como fizeram com a insurgência na Líbia em 2011. Na ocasião, a OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) realizou bombardeios aéreos no país para ajudar na luta de opositores que tentavam derrubar o então presidente Muammar Kadafi.

Mas, especialistas e opositores notam que o apoio internacional não altera a equação militar interna na Síria. De acordo com os rebeldes, os países devem fornecer armamento para a luta ter sucesso. 

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