Aliados de Fujimori intensificam campanha antes de decisão sobre indulto
Apoio da população peruana à libertação do ex-ditador, porém, caiu 12 pontos percentuais somente em um mês
Com o anúncio do governo peruano de que a decisão sobre o indulto humanitário solicitado por Alberto Fujimori (1990-2000) sairá na semana de Natal, grupos favoráveis ao ex-ditador intensificaram o debate sobre o assunto.
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Uma equipe de comunicação comandada por quatro personagens conhecidos da sociedade peruana é responsável pelo conteúdo de quatro sites e pelas respostas aos opositores do indulto.
[O ex-ditador Alberto Fujimori em 2008, durante o julgamento de seu processo, no Peru]
Os líderes da campanha são Alejandro Aguinaga Recuenco, médico de Fujimori na prisão, o empresário Germán Kruger, financiador da fuga do ex-ditador para o Japão em 2005, o publicitário e ex-congressista Carlos Raffo Ace, e Jorge Telles, autor da célebre frase: “em todo caso, nós do governo Fujimori matamos menos”, em referência às mortes de civis durante os mandatos do ex-governante.
Apesar da intensificação da campanha, uma pesquisa divulgada na última semana pelo jornal La Republica indica uma queda no apoio ao indulto entre os peruanos. Entre outubro e novembro, caiu de 62% para 50% a parcela da população do país favorável à liberdade do ex-ditador. Além disso, 39% são totalmente contrários à medida e 11% não opinaram.
Obstáculos legais
Além de aguardarem a decisão do presidente Ollanta Humala, defensores de Fujimori também lidam com duas dificuldades legais que podem impedir a saída do ex-ditador da prisão. De acordo com as especificações da lei de indulto humanitário, Fujimori só poderia ficar em liberdade se os laudos médicos confirmassem que o solicitante está em fase terminal e que seu cárcere não permite um atendimento adequado às condições de saúde.
Entretanto, o médico Jorge Rubiños, oncologista do Instituto Nacional de Enfermidades Neoplásicas, que examinou Fujimori, garante que ele não tem um câncer terminal. Se trata de “uma displasia na língua, que não é um câncer. São lesões consequentes de mudanças celulares pré-cancerígenas, que podem ou não se transformar em câncer”, esclareceu.

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Outro obstáculo a ser superado por Fujimori antes de sair da prisão é uma lei assinada por ele mesmo, em maio de 1995. “A legislação estabelece que fica excluído do direito de receber o indulto humanitário autores, assim como foi Fujimori, de delitos julgados por sequestro agravado, que na legislação peruana significa cárcere privado com utilização de armas”, explicou o procurador Julio Arbizu.
Mordomias no cárcere
Opositores ao fujimorismo criticam não apenas a possibilidade de indulto ao ex-ditador, mas também as regalias que ele tem tido na prisão. Em setembro de 2007, quando Fujimori foi extraditado do Chile, o então presidente peruano, Alan Garcia, permitiu que o próprio acusado escolhesse onde permaneceria encarcerado antes de ir a julgamento pelos crimes cometidos em seu mandato.
Fujimori escolheu a sede da Direção de Operações Especiais da Polícia Nacional Peruana, que acopla o estabelecimento penitenciário de Barbadillo, onde permanece até hoje. Após cinco anos de prisão, seu espaço de reclusão passou de 190 metros quadrados para uma área de dez mil metros quadrados.
Projetado pelo próprio detento, o espaço possui estúdio, dormitório, cozinha e banheiros, além da presença constante de três enfermeiras, dois médicos e uma ambulância. Para complementar, uma sala de visitas equipada com ar condicionado, frigobar, cadeiras para massagem, um televisor, cabine telefônica, celulares e computadores.
Conforme a acusação de políticos peruanos, a campanha eleitoral de sua filha Keiko Fujimori à Presidência em 2011 foi planejada e executada da área de reclusão de Barbadillo. Semanalmente o espaço recebia cerca de 300 pessoas que trabalhavam na campanha de Keiko.
A sede da PNP também serviu como sede do casamento de sua outra filha, Sachi Fujimori, no dia 27 de fevereiro de 2010, recebendo centenas de convidados.
Para Arbizu, na hipótese de conseguir o indulto humanitário, Fujimori não teria nenhum impedimento de voltar à vida política. “O ex-presidente tem cidadania japonesa. Em julho de 2007, Fujimori estava em plena campanha eleitoral concorrendo ao senado japonês pelo Novo Partido do Povo, enquanto era acusado de vários crimes pela justiça peruana”, recordou.
Keiko Fujimori, filha do ex- ditador rebate: “meu pai está depressivo, com problemas de saúde, ele só quer viver tranquilo perto da família, não tem intenção nenhuma de voltar à política”.
























