Segunda-feira, 7 de setembro de 2026
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Na sala do Sindicato dos Trabalhadores da Indústria de Bebidas e Similares (STYBIS) há uma reunião. Passados 13 dias do golpe de Estado que tirou o presidente Manuel Zelaya de Honduras, a resistência civil se organiza. Sempre antes do toque de recolher, que obriga os habitantes a correr para suas casas.

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“Ninguém se reúne depois das 22h. Não podemos nos arriscar”, conta David, um antigo trabalhador do aeroporto de Tegucigalpa, agora aposentado, que participa dos movimentos de base a favor de “Mel” Zelaya e, sobretudo, contra Roberto Micheletti, “o italiano golpista” que comandava o Congresso e assumiu a presidência do país.

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Na sala, estão representantes dos trabalhadores, professores e estudantes, além de camponeses, movimentos feministas e outros setores do “povo de Zelaya”, formado principalmente por trabalhadores de classe média baixa. É o povo que vê no “vaqueiro de Olancho”, como o chamam em Honduras, o presidente que mais fez para combater a pobreza.

“Não podemos perder o foco. É fundamental que a gente não se desmoralize”, diz o representante dos movimentos cristãos. “A expectativa é grande. É preciso dizer a Mel que trate de voltar, de qualquer maneira, em qualquer canto do país. Assim as pessoas vão se reanimar e será uma injeção de força pura”.


“Homens de palavra”

As negociações com os golpistas na Costa Rica, mediadas pelo presidente Oscar Arias, começam hoje e os hondurenhos que apoiam Zelaya se organizam para tomar as ruas do país, as estradas, as cidades, com caminhões, carros e protestos, a partir de amanhã.

“Vamos parar o país. Vamos ver se não vai doer nos empresários!”, grita o líder de um dos movimentos camponeses de Olancho, o departamento do presidente Zelaya. “Nós de Olancho somos homens de palavra, temos culhão”.

Organizações sociais se reúnem diariamente. O movimento pró Zelaya tem conseguido vencer o temor, o cerco midiático e se organiza. Superar o medo da repressão é um passo importante, que se deve também ao apoio da comunidade internacional. A comunicação é feita por telefone, SMS, e-mail, rádio. No boca-a-boca.

Fora da sala de reunião, há um grupo de jovens tomando refrigerante e fazendo uma boquinha. Julio é quem fala mais. “Antes não participavam muitos jovens [da mobilização], mas é que estamos cansados. Além disso, há muita gente espantosa neste governo golpista. Por exemplo, o assessor de Micheletti é Billy Joya. Ele estava nos esquadrões da morte nos anos 80, no esquadrão 3-16. Matava e violava as pessoas. Fugiu para o Canadá por conta de seus crimes e agora é assessor de um presidente golpista. Eu não quero crescer em um país assim”.

Billy Fernando Joya Amendola, capitão de polícia reformado, integrou o esquadrão de inteligência 3-16 e fundou o esquadrão de elite de repressão Lince dos Cobras, do qual foi primeiro comandante, segundo o Comitê de Familiares de Detidos Desaparecidos em Honduras. É acusado de responsabilidade direta em pelo menos 16 operações, que deixaram mais de uma dezena de pessoas mortas e torturadas nos anos 80, período de forte instabilidade e repressão política na região.

Julio acaba de comer e se despede. Mora muito longe e precisa chegar antes do toque de recolher.



*Texto e fotos

Aliados de Zelaya se preparam para tomar as ruas de Honduras

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