Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Agência Efe

O presidente Sebastián Piñera pretende fazer uma nova licitação para privatizar o lítio no Chile

O processo de privatização da exploração do lítio chileno tomou um inesperado rumo após o presidente Sebastián Piñera anular o contrato de licitação que havia sido definido na semana passada, quando foi anunciada a vitória da empresa chilena SQM.

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O presidente não quis comentar os motivos da decisão desta terça-feira (03/10), mas também aceitou a renúncia do subsecretário de Minas e Energia, Pablo Wagner, que conduziu o processo de licitação. Wagner ficou no comando do projeto pois o ministro titular da pasta, Hernán de Solminihac, preferiu ficar de fora por ser irmão do gerente-executivo da SQM (ex-estatal química controlada pelo empresário Julio Ponce Lerou, ex-genro do ditador Augusto Pinochet).

A anulação se dá menos de 24 horas depois de o CEL (Comitê Especial de Licitações) receber uma denúncia formal da empresa coreana Li Energy, que encabeçava um consórcio com outras empresas mineradoras asiáticas que participavam do processo. Na denúncia, a Li Energy acusou a SQM de não cumprir com os requisitos básicos para participar do leilão.

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Segundo Cristián Quinzio, advogado contratado pela empresa coreana, “as bases da licitação exigiam que os participantes não tivessem nenhum tipo de litígio com o Estado Chileno”. Na denúncia apresentada ao CEL, Quinzio anexou os 49 processos que tramitam na Suprema Corte, nos quais o estado e a SQM são adversários.

Empresa coreana entrou com ação contra a vitória da chilena SQM, controlada por ex-genro de Pinochet

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Apesar da anulação do processo, o advogado afirmou que a empresa entrará com outro recurso no comitê, pedindo que seja estipulada somente a desqualificação da SQM, por não cumprir com os requisitos do contrato, e que a partir dessa medida se declare vencedor o concorrente que fez a melhor proposta entre os que restaram, o que daria à Li Energy a concessão para explorar as jazidas de lítio chilenas pelos próximos vinte anos.

Nova licitação

Horas depois do anúncio da anulação do contrato, o porta-voz do governo, Andrés Chadwick, disse que o governo lamenta ter tido que tomar essa decisão, pois “o país perdeu um negócio que aceleraria o crescimento da nossa economia”. Segundo o porta-voz, o governo abrirá nova licitação do lítio através dos CEOLs (contratos especiais de operação do lítio), “quando o presidente Piñera julgar conveniente retomar o processo”.

Algumas lideranças de movimentos sociais, que comemoraram a anulação do contrato de licitação do lítio, receberam as palavras de Chadwick como um banho de água fria. Para o economista Marcel Claude, da Universidade do Chile, o governo chileno, ao insistir na privatização do lítio, “desperdiça uma grande oportunidade de esclarecer o que havia de obscuro processo, priorizando antes o debate com a sociedade sobre como o país deveria aproveitar essa riqueza”.

Claude acredita, porém, que as esperanças para os movimentos sociais em defesa da exploração estatal do lítio se fortaleceram com o desfecho negativo do primeiro contrato. O economista acha que as irregularidades no processo aumentam os questionamentos sobre a privatização, sem que o governo consulte a sociedade ou o parlamento.

“Se uma empresa estrangeira pode questionar o governo em nome dos seus interesses econômicos, a institucionalidade também precisa permitir o mesmo direito à cidadania, através da Justiça, em nome dos interesses do país”, comentou.

No final da tarde desta terça-feira, os movimentos em favor da nacionalização do lítio chileno, com o apoio já declarado da CUT (Central Unitária dos Trabalhadores) e do Movimento Estudantil, convocaram uma marcha para o dia 17 de outubro, na qual pretendem reivindicar o fim do processo de privatização do mineral.

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