Após desfile do Dia da Vitória, veteranos da 2ª Guerra marcham com fotos de familiares mortos no conflito
Com medalhas presas às jaquetas militares, veteranos, quase todos com mais de 90 anos, eram frequentemente parados pelos mais jovens, que agradeciam a eles
A grandiosidade do desfile militar em Moscou, no último sábado (09/05), em comemoração ao Dia da Vitória, deu lugar em seguida a uma emocionante procissão de fotos: milhares de pessoas caminharam pelas ruas do centro da capital russa, segurando cartazes com fotos de familiares que morreram na Segunda Guerra Mundial, civis ou militares, mortos devido aos combates ou em consequência da fome.
Fotos: Sandro Fernandes
Procissão com fotos de familiares mortos na 2ª Guerra percorreu ruas de Moscou
Os veteranos, quase todos nonagenários, eram os grandes destaques em meio à multidão. “Feliz Dia da Vitória. Obrigado. Obrigado, de verdade, pelo que o senhor fez pela nossa pátria”, repetia Yulia Fadeeva, de 14 anos. Yulia contou à reportagem de Opera Mundi que saiu de casa sozinha, comprou flores e se juntou ao ato para presentear àqueles que lutaram na guerra.
A fitinha de São Jorge, com três listras pretas e duas laranjas, era onipresente na procissão, preso à roupa de praticamente todas as pessoas: símbolo militar desde a época imperial, perdeu seu significado durante a URSS. Desde 2005, passou a ser um forte emblema patriótico russo.
Com medalhas presas às jaquetas militares, os veteranos eram frequentemente parados pelos mais jovens, que agradeciam a eles.
“É um prazer saber que as nossas novas gerações entendem o que vivemos e valorizam isso. É importante para que a guerra não se repita. E se houver outra guerra, eles têm que entender a importância do compromisso com a pátria”, contou Aleksander Konstantinovich, de 97 anos, idade que repetia com orgulho a todos os que se aproximavam.
Marcha aconteceu após desfile que comemorava os 70 anos da capitulação alemã na Segunda Guerra
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“Todos os russos, sem exceção, têm alguma história para contar sobre a 2ª Guerra Mundial. Todos nós temos um parente, vizinho, pai, avô, tia que lutou ou participou da guerra de alguma maneira”, relata o veterano. “No meu caso, a história da guerra sou eu mesmo. Muitos amigos meus morreram, outros ficaram inválidos. A gente lutou para que vocês, hoje, possam estar aqui ouvindo nossas histórias e aproveitando esse sol”. E sorri largamente, mais uma vez. É a primeira semana este ano com temperaturas acima de 15ºC em Moscou.
Além das conversas com os veteranos, o silêncio da procissão de fotos das vítimas só era interrompido pelos sinos das igrejas ortodoxas, a cada 30 minutos. Com o fechamento das estações de metrô do centro da capital russa, o ato que estava previsto para acontecer apenas nas proximidades da Praça Vermelha, se estendeu por pelo menos 2 km.
“A gente está tendo que caminhar até a estação mais próxima, que fica bem longe, mas ninguém está reclamando. Nem meu pai. Ele está feliz em participar desta caminhada. Hoje é o dia dele.”, conta Oksana Baranova, de 53 anos.
Já quase no final do percurso, em uma calçada, um grupo de jovens cantava músicas patrióticas, acompanhados de um acordeão. “Deixe a nobre ira / Transbordar como uma onda / Esta é a Guerra dos Povos / Uma Guerra Sagrada”, seguida de muitos aplausos. A música, Священная война (Guerra Sagrada, em tradução livre), é uma das mais populares da União Soviética.
Somente na Rússia, estima-se que 14 milhões de pessoas, 12,7% da população da época, morreram no conflito que o país chama de “A Grande Guerra Patriótica”.
























