Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirma se orgulhar do trabalho de seu governo nesses três anos e meio de legislatura, um dia após apresentar sua renúncia ao presidente do país, Giorgio Napolitano.
 
“Permita-me que fale com orgulho de tudo o que conseguimos realizar nesses três anos e meio, marcados por uma forte crise internacional sem precedentes na história”, disse Berlusconi em carta enviada a Francesco Storace, secretário do partido La Destra, lida no congresso nacional da legenda realizado em Turim.
 
Berlusconi afirmou que seu governo trabalhou “com a consciência de que a maioria querida pelos eleitores (obtida no pleito de 2008) tinha o direito e, sobretudo, a obrigação de governar”, mas lamentou que, “no fim, prevaleceu no Parlamento a lógica das pequenas chantagens e do transformismo, que são o vício mais antigo da política italiana”.
 
A deserção de alguns parlamentares da base aliada fez com que Berlusconi perdesse a maioria absoluta em uma votação na terça-feira passada na Câmara dos Deputados, quando se viu obrigado a anunciar sua intenção de renunciar assim que o Parlamento aprovasse as reformas exigidas pela União Europeia à Itália.
 
O primeiro-ministro demissionário disse que algumas pessoas trabalham há muito tempo para que a política italiana regrida aos tempos em que a vontade dos eleitores era dirigida pelas oligarquias de partidos acostumadas a usar a força, “sem nenhuma responsabilidade”.
 
Berlusconi destacou que seu compromisso é impedir a perda dos “sinais de modernidade” conquistados nesses anos e consolidar o rigor econômico já buscado em seu governo.
 
Ele ressaltou que a Itália é um país que pode contar com suas empresas e com uma forte economia privada das famílias e lembrou que o país possui uma taxa de desemprego dois pontos abaixo da média europeia, assim como o maior patrimônio artístico do mundo.
 
Berlusconi apresentou neste sábado sua renúncia após a aprovação definitiva no Parlamento da Lei de Orçamento estatal para 2012, que continha as medidas exigidas pela União Europeia à Itália com o objetivo de acalmar os mercados. 
 

Para ex-premiê, sua saída significou a vitória 'das pequenas chantagens e do transformismo'

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