Quarta-feira, 10 de dezembro de 2025
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Após Andriy Yermak, chefe de gabinete da Ucrânia, renunciar na esteira de uma investigação anticorrupção nesta sexta-feira (28/11), o presidente do país, Volodymyr Zelensky, declarou que “não deve haver motivo para se distrair com nada além da defesa” de Kiev na guerra contra a Rússia.

Segundo o mandatário ucraniano, “força interna é necessária quando toda a atenção está voltada para a diplomacia, para a defesa, na guerra”. “A força interna é a base da nossa unidade externa e das nossas relações com o mundo. E para que haja força interna, não deve haver motivos para nos distrairmos com outra coisa que não seja a defesa da Ucrânia”, discursou.

Para que “ninguém tenha dúvidas em relação à Ucrânia”, Zelensky disse que “decisões internas foram tomadas”. Assim, com a renúncia de Yermak, anunciou a reformulação de seu gabinete

“Sou grato a Andriy por sempre ter representado a posição ucraniana nas negociações da maneira que deveria ser. Sempre foi uma posição patriótica. Mas quero que não haja rumores e especulações”, acrescentou.

Sem indicações de possíveis nomes para o cargo, Zelensky disse que ainda vai “consultar aqueles que podem” ocupar a posição.

Voltando a falar sobre a guerra contra a Rússia, o presidente afirmou que em “um desafio externo como a guerra, temos que ser fortes internamente”. “É na defesa da Ucrânia que concentraremos 100% de nossas forças. Todos devem agir agora exatamente assim”, instou, sem mencionar as investigações anticorrupção.

Escândalo de corrupção de grande porte emergiu na Ucrânia no início deste mês
Volodymyr Zelenskyy/X

Investigação de agências anticorrupção

Yermak foi alvo de uma busca do Escritório Nacional Anticorrupção da Ucrânia (NABU) como parte de uma ampla investigação de corrupção que mira altos funcionários do governo Zelensky.

“NABU e SAPO [Procuradoria Especializada Anticorrupção] estão realizando ações investigativas (buscas) autorizadas nas dependências do chefe do gabinete presidencial”, informou a agência nas redes sociais.

Yermak confirmou a operação por meio de uma mensagem no aplicativo Telegram. “Eles receberam acesso total ao apartamento, e meus advogados estão no local, interagindo com os agentes da lei. Há total cooperação da minha parte”, disse.

A NABU não apresentou acusações após realizar buscas nas instalações de Yermak, contudo o chefe de gabinete de Zelensky apresentou sua renúncia mesmo assim.

O político era alvo de insatisfação dentro da Ucrânia. O partido Solidariedade Europeia havia apresentado uma moção no Parlamento pedindo que Zelensky demitisse Yermak e o secretário do Conselho de Segurança e Defesa Nacional, Rustem Umerov, também interrogado pela NABU.

Contudo, na ocisão, o presidente não só não destituiu o chefe de gabinete, como ainda o nomeou chefe das negociações com os Estados Unidos em Genebra — o que levou a um protesto em massa em Kiev, com manifestantes exigindo a renúncia de Zelensky e a demissão de Yermak.

Um escândalo de corrupção de grande porte emergiu no país no início deste mês, quando a NABU passou a investigar um esquema no setor de energia envolvendo um dos aliados mais próximos de Zelensky, Timur Mindich.

Em 11 de novembro, o NABU apresentou acusações contra sete integrantes de um suposto grupo criminoso ligado ao esquema, incluindo Mindich. Em 13 de novembro, Zelensky impôs sanções contra Mindich e seu principal financiador, o empresário Oleksandr Tsukerman. O ex-vice-primeiro-ministro Oleksiy Chernyshov, a ministra da Energia Svitlana Grynchuk e o ministro da Justiça German Galushchenko foram demitidos devido ao envolvimento no escândalo, considerado o maior da história da Ucrânia.

Kremlin reage

O porta-voz da Presidência Rússia, Dmitry Peskov, reagiu à série de acontecimentos na Ucrânia. Segundo a autoridade de Moscou, o escândalo de corrupção na Ucrânia é “grandioso”.

Peskov acrescentou que o escândalo pode complicar as negociações de Kiev com os Estados Unidos.

(*) Com Brasil247