Quinta-feira, 8 de outubro de 2026
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Em meio aos escombros, vários focos de protestos aconteceram ao redor do Nepal nesta quarta-feira (29/04) como expressão de descontentamento com a demora e a falta de gerenciamento do governo diante do caos, quatro dias após um terremoto de 7.8 graus na escala Richter atingir o território, deixando pelo menos 5.000 mortos.

Na capital, Katmandu, a polícia antidistúrbios foi acionada para conter a revolta de milhares de pessoas que tentam sair da região para procurar familiares em zonas mais remotas. Segundo a Reuters, cerca de 200 pessoas protestaram em frente ao Parlamento, exigindo mais ônibus para levá-los aos seus vilarejos.

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EFE

No Nepal, grupo de soldados espera chuva passar para continuar resgate: mau tempo atrapalhou autoridades no socorro às vítimas

Os manifestantes ainda bloquearam estradas com caminhões carregados de suprimentos para as vítimas, exigindo que o governo aumente os recursos para responder à altura da tragédia que afeta ao menos 8 dos 28 milhões de habitantes do país.

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Temendo tremores secundários, outro grande grupo de pessoas se reuniu em um terminal rodoviário para tentar embarcar em um dos 250 ônibus especiais prometidos pelo governo. Quando perceberam que não haveria ônibus adicionais, a população entrou em confronto com a polícia, reportou a Agence France-Presse.

Na região de Dolakha, situada na porção leste da capital, moradores furiosos quebraram janelas de um edifício administrativo local. “Mais de 200 mil pessoas estão desabrigadas. Fomos informados de que os materiais estão a caminho, mas ainda não recebemos nada”, disse Prem Lal Lamichhane, o comandante de polícia do distrito, a Al Jazeera.

EFE

População procura familiares  e contabiliza danos por conta do desastre natural que assolou nação

“A angústia agora é que não dá para saber como essa situação vai ficar. O maior medo é a possibilidade de epidemias, como cólera. Mas ninguém também sabe quanto tempo a água e a comida vão durar, já que estão cada vez mais escassas. É uma contagem regressiva de recursos”, afirmou nesta quarta Jéssica Sarti, 25 anos, em entrevista a Opera Mundi pelo telefone da embaixada brasileira de Katmandu, capital do Nepal.

Por conta da demora na resposta do governo nepalês face à situação dramática, a sociedade civil tem se organizado em pequenos grupos conforme os bairros para formar equipes de resgate em meio aos escombros. É o caso de Rocky, 25 anos, um dos moradores da casa em que Jéssica ficou hospedada em Katmandu. “Encontro com ele direto. Ele fica o dia inteiro procurando corpos nas pedras, mas cada hora que passa está perdendo a esperança de encontrar pessoas vivas”, relata.

Com falta de recursos, suprimentos e em meio aos escombros, população critica falta de gerenciamento das autoridades; ao menos 5.000 já morreram

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Nesta manhã, o governo nepalês reconheceu a “fragilidade” na gestão das consequências do terremoto mais violento no país nos últimos 80 anos. “A catástrofe é tão grande e sem precedentes que não temos capacidade de responder às expectativas da população. Mas estamos preparados para reconhecer nossas fragilidades, aprender e seguir adiante da melhor maneira possível”, declarou o ministro da Comunicação, Minendra Rijal.

“Nós fazemos tudo que é possível para chegar ao maior número de lugares. O tempo melhorou e esperamos poder ajudar mais vítimas”, acrescentou o porta-voz do Exército, Jagdish Pokharel.

Para Jéssica, é notável a ajuda de ONGs internacionais, mas o gerenciamento dos recursos feito pelo governo nepalês não está sendo adequado. Nos acampamentos, por exemplo, o Exército está fornecendo um pouco de comida e água, mas há filas de mais de duas horas para conseguir alguma coisa.

EFE

Civis formam filas para receber rações de comida fornecidas em acampamentos de refugiados no país

“Tem muita gente aqui que não tem a menor estrutura, mas mesmo assim não dá para depender do governo. Há uma série de vilas que estão destroçadas e que você só consegue chegar depois de 12 horas caminhando para acessá-las. No pequeno aeroporto de Katmandu, chegam médicos, suplementos, mas que ficam pela capital mesmo. Nessas outras regiões, simplesmente não há ajuda, pois as estradas estão totalmente quebradas”, explica.

Apesar disso, a ONU (Organização das Nações Unidas) informou hoje que o governo do Nepal não deseja receber mais equipes de emergência estrangeiras por considerar que já conta com o suficiente. “Eles consideram ter recursos suficientes para enfrentar as necessidades imediatas de busca e de socorro”, afirmou à agência francesa Jamie McGoldrick, coordenador residente da ONU para o Nepal. “Os que já estão a caminho podem vir, mas eles pedem que os demais não venham”, completou.

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