Agência Efe (19/09/12)
O governo sírio está aberto para negociar com os grupos da oposição armada, disse o presidente do país, Bashar al Assad, em entrevista exclusiva a revista semanal Al Ahram Al-Araby, divulgada nesta sexta-feira (21/09). Segundo o mandatário, essa é a única opção viável aos rebeldes sírios, que estão fadados a perder o conflito.
[Bashar al Assad (à esquerda) e ministro de Relações Exteriores da Síria se reunem em Damasco]
“Os grupos armados exercem terrorismo contra o estado”, disse Assad na sede presidencial em Damasco. “Eles não são populares entre a sociedade… eles não serão vitoriosos no final”, acrescentou.
O presidente, no entanto, não parece estar convicto de que suas forças irão vencer o conflito, que assola o país há mais de 18 meses. Ele explicou a Al Ahram que “apenas negociações com a oposição podem solucionar a crise” e acrescentou que “a porta para o diálogo está aberta”, segundo reportou a rede Al Arabyia.
“A mudança não pode ser alcançada por meio de intervenção externa”, disse Assad, reafirmando que o regime sírio não terá o mesmo rumo que o governo líbio de Muamar Kadafi. O presidente sírio também acusou estados árabes e os Estados Unidos de armarem os rebeldes e interferirem na situação política do país.

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Turquia, Catar e Arábia Saudita “usam o poder do dinheiro e giram em torno da órbita do Ocidente ao fornecer armas e dinheiros a terroristas para repetirem o cenário na Líbia”, afirmou ele ao Al Ahram segundo o site da revista em inglês. O presidente sírio garantiu que estes países apenas trouxeram a instabilidade para o Oriente Médio, assim como a Primavera Árabe foi responsável por trazer o caos à região.
“Eles (Turquia, Catar e Arábia Saudita) viram dinheiro em suas mãos depois de um longo período de pobreza e pensaram que poderiam escrever história e exercer um papel regional”, afirmou Assad. “A ideia generalizada, no entanto, de que a Arábia Saudita, Síria e Egito são a pedra angular de estabilidade na região é falsa. Ele sempre foi, e continuará sendo, Síria, Iraque e Egito”, acrescentou ele.
Momento delicado
As declarações do presidente vêm em um momento delicado do conflito sírio de intensificação da violência, conforme relatado pelas Nações Unidas, e transformação no contexto internacional.
Depois dos protestos contra o filme anti-Islã terem tomado conta de países do mundo muçulmano, intelectuais e jornais norte-americanos se questionaram sobre os perigos que a Primavera Árabe oferece. O editorial da rede CNN chegou a se interrogar se realmente valia a pena retirar ditadores aliados dos EUA do poder para radicais assumirem o posto.
“Na Líbia, Muamar Kadafi caiu e os embaixador dos EUA e três outros morreram, porque alguns terroristas naquele país não gostaram de um filme crítica ao Islã”, diz o texto da CNN. “Essa é minha questão a você: a Primavera Árabe valeu a pena”, interroga.