O PKK (Partido dos Trabalhadores do Curdistão) inicia nesta quarta-feira (08/05) sua retirada do solo turco em rumo ao norte do Iraque. O ato é considerado como um novo e decisivo passo no processo de paz que deverá pôr fim a quase três décadas de uma guerra não declarada entre o governo da Turquia e a guerrilha separatista.
Efe

Imagem facilitada pela Agência de Notícias Firat, mostra um guerrilheiro da PKK em área não especificada do norte do Iraque
Porém, no mesmo dia, três atentado organizados com carros-bomba no centro e nos arredores da cidade de Kirkuk, no norte do Iraque, contra grupos curdos, deixou dois mortos e 45 feridos. Essa região, de maioria curda, é controlada de forma autônoma pela população. Após a queda do regime de Saddam Hussein, os curdos obtiveram autonomia de uma região no norte do país árabe.
Em uma estrada no sudoeste da cidade, um miliciano morreu após uma bomba explodir contra um comboio de um grupo armado curdo, conhecido como Peshmerga. Outros dez ficaram feridos.
Um centro dos paramilitares em Daquq, a 55 km de Kirkuk, também foi atingido por uma explosão, causada por um carro-bomba, deixando um morto e cinco feridos.
No centro da cidade, outro carro-bomba foi detonado na porta da sede do partido União Patriótica do Curdistão, do presidente iraquiano, Jalal Talabani, deixando 30 feridos. Segundo autoridades locais, o número de vítimas de ambos os ataques ainda pode aumentar, já que muitos feridos se encontram em estado grave.
A retirada
O esperado é que o início desta retirada, anunciada previamente no último dia 25 de abril e que, por enquanto, não inclui o abandono das armas, seja discreto e marcado pelo segredo.
“Não vai ocorrer nada extraordinário. As forças de segurança estarão a serviço 24 horas”, explicou ontem o ministro do Interior, Muammer Guler, que insistiu que esta quarta-feira será como qualquer outro dia.
Selahattin Demirtas, presidente do partido pró-curdo BDP, assegurou que os guerrilheiros (3 mil operam em solo turco e outros 2 mil em suas bases do norte do Iraque) demorarão entre três e quatro meses para se instalar por completo no norte do Iraque.
Segundo a direção militar do PKK, a retirada ocorrerá “de forma ordenada e dentro do planejado”.

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No entanto, em um comunicado publicado ontem, o PKK advertiu que as manobras militares do Exército no sul da Turquia “podem afetar negativamente o processo e causar reações”.
O governo turco, por sua vez, deixou claro que suas forças não atuarão contra os rebeldes, mas que também não reduzirão sua presença nas regiões do sudeste da Turquia, onde se concentram a minoria curda e os combates com a guerrilha.
Para o chefe do governo, Recep Tayyip Erdogan, esta jornada não tem tanta importância para o processo de paz como o esperado abandono das armas no futuro.
Esta retirada é parte das negociações entre Abdullah Öcalan, o líder histórico do PKK, preso desde 1999, o BDP e o serviço de inteligência turco, as quais buscam acabar com um conflito que, desde 1984, já causou 45 mil mortes.
O PKK é considerado um grupo terrorista por Ancara, pela União Europeia e pelos Estados Unidos.
(*) com agências de notícias internacionais