Uma “máquina” (táxi compartilhado) para na Calle 23, popularmente conhecida como “rampa” pelo formato da pista, e antes de abrir a porta, já se pode reconhecer o português na música de Luan Santana. “Gosto muito dele e do Zezé di Camargo e Luciano”, diz o motorista.
Ivan Alfonso, 36, é quem dirige o Chevrolet azul da década de 50. Ao seu lado está Iolanda, 25, a responsável por convencer Ivan de que ir a Havana Vieja aquela altura não seria tão complicado, ainda que Barack Obama também estivesse a caminho e por isso algumas ruas já estivessem bloqueadas.
Nita Ongaro/Opera Mundi
Ivan Alfonso teve carro rebocado por equipes de segurança por causa da visita de Obama
“Noite passada, estacionei o carro por alguns minutinhos no Malecón e quando voltei, cadê?”. Depois de ir à policia dar queixa do suposto furto, foi informado de que seu carro havia sido rebocado por estar no trajeto que Obama faria no dia seguinte.
“Sempre fiz assim [estacionar no Malecón] e nunca me havia passado. Me rebocaram por medo de que fosse um carro bomba”, contou, revelando que não queria mais complicações por se “meter” no caminho do presidente dos Estados Unidos.
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O casal, que entre um bico e outro leva pessoas que estão no caminho ao seu destino com um táxi compartilhado, cobrando um peso cubano por pessoa, está esperançoso de que a visita de Obama a ilha gere impactos positivos. “A vida toda ouvimos que nossos problemas econômicos existiam por conta do bloqueio, agora queremos que se levante o embargo para ver se realmente era isso”, diz Ivan.
A par tanto da política interna quanto da política externa, levantaram hipóteses da situação de Cuba no Congresso americano a depender da eleição do próximo presidente.
Nita Ongaro/Opera Mundi
Ruas foram bloqueadas para tráfego por conta da movimentação de Obama
“Entendo que Obama está muito bem intencionado e que quer realmente romper o bloqueio que nos faz sofrer há tanto tempo, mas sabemos que não depende só dele”, lamenta Iolanda.
Os dois torcem para que Hillary Clinton, que possui propostas parecidas com as de Obama e favor do reestabelecimento das relações entre Cuba e EUA, assuma o próximo período presidencial. “Tudo o que Obama conseguir avançar nos próximos meses pode retroceder em um segundo com Trump”, alerta Ivan.
Ao nos despedir, fizeram um pedido. “Cumprimente Obama por nós, ele é muito bem-vindo.”